Clinton pode ter que enfrentar difícil retorno ao Senado

WASHINGTON - Quando Hillary Rodham Clinton fez uma rara parada no Senado na semana passada, ela falou de um palanque solitário a respeito do fim do Comitê dos Serviços Armados, oito cadeiras vazias enfatizando o vão entre ela e os reais poderes do Senado, no lado do presidente.

The New York Times |

Isso foi um retrato da inflexível matemática senatorial que se abaterá sobre o lugar de Clinton no Congresso caso a corrida democrata siga seu curso atual. Ainda que ela tenha recebido milhões de votos, levado milhares de americanos a comícios, feito centenas de aparições e esteja poucos delegados abaixo de seu objetivo, a derrota ainda fará dela a número 36 de 49 democratas no Senado.

Mas a aritmética da senioridade é apenas o começo. Há ainda o desafio pessoal de retornar a um clube onde mais membros democratas preferem o senador Barack Obama. Para Clinton, que passou anos cultivando amizades e levantando dinheiro para seus colegas, isso deve doer. Apesar do Senado ser um lugar onde rivais trabalham lado a lado, essa disputa familiar foi mais pública do que o normal.

"Isso não era visto antes", disse Bob Kerrey, ex-senador democrata de Nebraska que tentou a presidência em 1992 apenas para voltar ao Senado depois de perder a indicação. "Mas na política, o que vai volta."

"Eu acho que seria mais fácil para Joe Biden conseguir o apoio de Hillary Clinton do que para Chris Dodd", disse Kerrey, se referindo ao senador de Delaware que permaneceu neutro depois de deixar a corrida pela Casa Branca e o senador do Connecticut que adotou um lado.

No mínimo, Clinton terá que enfrentar uma série de ajustes ao deixar a atmosfera energética, cheia de aplausos e agitação que é a campanha presidencial e retornar à calmaria do Senado, onde poder, status e conquistas legislativas levam anos ou mesmo décadas para serem conquistados.

Claro, Clinton ainda pode evitar ter que retomar sua carreira no Senado caso o senador Barack Obama de Illinois, número 39 na senioridade do partido, perca nesses dias finais de campanha.

O ex-senador Bob Graham da Flórida, que tentou sem sucesso a indicação democrata em 2004 antes de deixar o Senado, se lembra de ter sido bem recebido em seu retorno como um membro da família. Ele deu um conselho:

"O candidato que não conseguir a indicação deve respirar fundo e se afundar no trabalho no Senado", ele disse. "Essa é a melhor forma de realizar a conversão".

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- CARL HULSE

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