Clinton leva dinheiro e cautela ao Oriente Médio

SHARM EL-SHEIK - A secretária de Estado Hillary Rodham Clinton, em sua primeira viagem diplomática ao Oriente Médio, pousou neste resort do Mar Vermelho no domingo, carregando uma promessa de US$300 milhões para a região de Gaza destruída pela guerra.

The New York Times |


Clinton deve apresentar a ajuda humanitária nesta segunda-feira em uma conferência para a arrecadação de doadores internacionais realizada pelo Egito (possivelmente a parte mais simples de uma visita obscurecida pela profunda desconfiança mútua entre israelenses e palestinos e a ainda não resolvida situação política em Israel). Na terça e quarta-feira, Clinton viaja a Jerusalém e Cisjordânia.

Os Estados Unidos prometeram outros US$600 milhões à Autoridade Palestina para impulsionar sua economia e cobrir um buraco no seu orçamento. Parte deste dinheiro também pode acabar em Gaza, que está em ruínas depois da ofensiva militar israelense contra o grupo militante Hamas. Mas grande parte irá para a Cisjordânia, onde a Autoridade Palestina está em controle.

"Todos concordam que precisamos ajudar a Autoridade Palestina", disse Robert A. Wood, porta-voz do Departamento de Estado. "Não queremos que o dinheiro passe pelo Hamas".

Diversos países europeus são mais abertos o lidar com o grupo, desde que se torne parte do chamado governo de unidade da Autoridade Palestina.

Os Estados Unidos e Israel, no entanto, não irão lidar com o Hamas, afirmando que o grupo não passa de uma organização terrorista em busca da destruição de Israel. E Israel tem mantido as fronteiras de Gaza fechadas, gerando críticas de que está bloqueando a chegada de ajuda humanitária.

Na sexta-feira, Clinton reafirmou as exigências de Washington de que o Hamas renuncie a terrorismo e reconheça Israel como condição para negociar diretamente com os Estados Unidos.

Mas a gestão Obama não desencoraja negociações entre a Autoridade Palestina e o Hamas para a formação de um governo de união. Um oficial sênior americano disse que se tal governo fosse formado, os Estados Unidos não deixariam de lidar com ele, de alguma forma.

Oficiais da gestão, no entanto, alertaram que as condições permanecem hostis, com militantes do Hamas disparando mais foguetes contra cidades israelenses. Em Israel, Benjamin Netanyahu pode acabar formando um governo de direita, menos inclinado a lidar com o Hamas.

Com tantos impedimentos a um acordo israelense palestino, analistas dizem que o caminho mais promissor pode ser uma abertura à Síria. O Departamento de Estado convidou o embaixador da Síria nos Estados Unidos, Imad Moustapha, para uma reunião de duas horas na quinta-feira, que pode servir como um avanço nas relações entre os países.

Por MARK LANDLER

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