Clinton anuncia que EUA planejam dar início a negociações com a Síria

JERUSALÉM - Dando sinais de uma nova direção na diplomacia com o Oriente Médio, a gestão Obama enviará dois oficiais sênior à Síria no final de semana para dar início a negociações com o governo local, afirmou a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton em uma visita a Israel na terça-feira.

The New York Times |


A abertura sugere como a gestão Obama pretende lidar com três desafios entrelaçados no Oriente Médio: a ameaça nuclear representada pelo Irã, a longa tensão entre Síria e Israel e o conflito entre israelenses e palestinos. A Síria, segundo especialistas na região, pode ser a chave para remediar os três problemas.

Ao buscar um acordo com a Síria, que cultivou elos com o Irã, os Estados Unidos podem aumentar a pressão sobre Teerã para que responda às ofertas de negociações diretas. Tal acordo também pode oferecer aos Estados árabes e palestinos moderados a cobertura política para negociarem com Israel. Isso, por sua vez, pode aumentar o fardo do Hamas, o grupo militante islâmico que controla Gaza, para que abandone as hostilidades contra Israel.

Mas em uma região onde mesmo pequenos passos precisam de anos de negociações, os oficiais buscam baixar as expectativas de progresso imediato. "O esforço é válido para que haja conversas preliminares", disse Clinton, afirmando que a ampla influência da Síria na região, bem como sua difícil história com os Estados Unidos. Ainda assim, ela alertou, "nós não temos como prever como será o futuro de nossa relação com a Síria".

O Departamento de Estado se recusou a elaborar sobre que questões os emissários irão tocar na Síria ou porque eles serão enviados agora.

Os dois emissários são Daniel B. Shapiro, diretor sênior do Conselho Nacional de Segurança, e Jeffrey D. Feltman, atual secretário assistente do Estado para assuntos do Oriente Próximo. Feltman, ex-embaixador no Líbano, tem ampla experiência na Síria, e Shapiro aconselhou a campanha de Obama sobre o conflito israelense-palestino.

Especialistas no Oriente Médio dizem acreditar que as condições para a abertura da Síria são boas em ambos os lados.

"Nós temos um governo sírio que quer se envolver", disse Martin S. Indyk, ex-embaixador em Israel e negociador de paz da gestão Clinton. "Nós provavelmente conseguiremos um governo israelense que achará mais fácil se relacionar com a Síria do que com os palestinos".

Há claros benefícios para Israel em um melhor relacionamento com a Síria: o governo do presidente Bashar Assad patrocina o Hezbollah, um grupo militante baseado no Líbano, e oferece proteção aos líderes do Hamas em Damasco, capital da Síria.

Por MARK LANDLER

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