Clinton admite que demanda por drogas nos Estados Unidos alimenta tráfico mexicano

CIDADE DO MÉXICO - Buscando amenizar as relações prejudicadas pelo tráfico de drogas do outro lado da fronteira, a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton chegou à capital mexicana na quarta-feira e fez o primeiro reconhecimento da gestão Obama sobre o papel que os Estados Unidos representam no violento mercado de narcóticos do México.

The New York Times |

Reuters
Hillary encontra o presidente do México, Felipe Calderón

Hillary encontra o presidente do México, Felipe Calderón

"Nossa insaciável demanda por drogas ilegais alimenta o comércio de drogas", ela disse, usando uma linguagem incomumente direta. "Nossa incapacidade de impedir que armas sejam transportadas ilegalmente pela fronteira para armar estes criminosos causa a morte de policiais, soldados e civis".

A declaração de Clinton veio junto com a promessa de que a gestão irá pedir o financiamento de US$ 80 milhões do Congresso para oferecer às autoridades mexicanas juntamente com três helicópteros Blackhawk que ajudarão a patrulhar a fronteira em busca de traficantes.

Ela também falou sobre a nova iniciativa da Casa Branca, anunciada na terça-feira, de posicionar outros 450 soldados na fronteira para deter o transporte de armas e dinheiro do tráfico para o México.

A ofensiva diplomática (que inclui a visita de outros inúmeros oficiais sênior antes da chegada do presidente Barack Obama no próximo mês) foi calculada para amolecer os oficiais mexicanos, que se irritaram nos últimos anos com o que viam como ofensas ao México em Washington. A iniciativa parece ter funcionado.

A ministra do Exterior Patricia Espinosa disse que a nova medida "segue a linha de cooperação que temos tentado adotar". Mas ela acrescentou que "sempre há espaço para melhorias nos Estados Unidos".

Desde o ano passado, a disputa entre as autoridades e os cartéis do tráfico resultaram na morte de mais de 7.200 pessoas, gerando dúvidas sobre o controle exercido pelo governo em seu próprio território. A violência também começou a ultrapassar a fronteira.

Clinton, depois de se encontrar com o presidente Felipe Calderon, elogiou sua campanha pela eliminação da corrupção na força policial e nas cortes. Ela disse que Obama não decidiu se colocará a Guarda Nacional ao longo da fronteira (uma questão que gerou oposição no México).

Além dos helicópteros, Clinton disse que os Estados Unidos irão oferecer às forças mexicanas óculos de visão noturna, roupas de proteção e outros equipamentos para o combate aos cartéis.

"Nós precisamos descobrir como parar estes caras ruins", ela disse. "Estes criminosos estão sobrepujando os oficiais da lei".

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