Clérigos irão atuar dentro de escolas da capital do Irã

Objetivo da medida é minimizar influência do ocidente e de políticos da oposição

The New York Times |

As autoridades educacionais do Irã irão enviar cerca de mil clérigos religiosos para as escolas de Teerã em busca de minimizar a influência do ocidente e de políticos da oposição, informaram jornais locais no domingo.

Os jornais citaram o vice-diretor do departamento de educação de Teerã, Mohammad Boniadi, dizendo que os clérigos começarão a trabalhar nas escolas da capital em setembro para "conscientizar os alunos das tramas da oposição".

Boniadi não informou quais séries escolares serão afetadas, mas um plano semelhante foi posto em prática em escolas do ensino elementar, médio e superior imediatamente após a revolução de 1979.

Naquela época, milhares de "professores da moralidade" foram enviados às escolas para promover a ideologia do governo.

A última medida parece ser parte de uma ofensiva social e cultural mais ampla sobre a juventude do país. Essa é uma de várias medidas que o governo tomou para ampliar sua influência nas escolas desde o verão passado, quando após uma disputada eleição presidencial que a oposição diz ter sido roubada, o governo islâmico enfrentou alguns dos piores protestos em três décadas.

No mês passado, o governo reinstituiu sua proibição contra o ensino da música nas escolas, que foi imposta após a revolução mas havia sido levantada nos últimos anos, relatou a agência de notícias semi-oficial ILNA.

As autoridades culturais também publicaram orientações sobre os cortes de cabelo admissíveis para os alunos do sexo masculino.

As autoridades também anunciaram que estão treinando as forças pró-governo para que escrevam blogs para aumentar a influência do governo sobre a Internet, disse a agência de notícias Fars.

Mais de 18 milhões de pessoas usam a internet no Irã, segundo dados do governo, que bloqueia centenas de sites pró-reforma e já prendeu dezenas de blogueiros.

Por Nazila Fathi

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