Cineastas iranianos usam as telas para chamar atenção à crise política

CAIRO ¿ O governo do Irã não pode silenciar os cineastas. Mas continua tentando. Filmes são censurados. Diretores são proibidos de deixar o país e de voltar para casa, forçados a cancelar projetos e ameaçados com punições caso seus filmes sejam críticos demais à vida na Republica Islâmica. Mas os filmes continuam, bem como os cineastas.

The New York Times |

Divulgação

"Ninguém Sabe dos Gatos Persas" mostra bastidores da música indie em Teerã

O último trabalho de Bahman Ghobadi, "No One Knows About Persian Cats" (Ninguém Sabe Sobre Gatos Persas, em tradução literal) foi proibido no Irã, mas está sendo passado de mão em mão gratuitamente, oferecendo um retrato da vida local pelo prisma da vibrante cena musical alternativa.

O filme ganhou o Prêmio Especial do Júri do Festival de Cannes de 2009, transformando o tapete vermelho em uma plataforma para chamar atenção para a crise política no Irã.

Algo semelhante aconteceu em Montreal, Berlim, Nuremberg, Mumbai e Londres, onde os diretores iranianos ¿ por sua presença ou ausência forçada pelo governo ¿ usaram sua celebridade para manter o público concentrado nos tumultos que têm acontecido no Irã desde as eleições presidenciais de junho, que os oponentes do governo denunciaram como fraudulentas.

"Pessoas são assassinadas, presas, torturadas e estupradas no meu país apenas por seu voto", disse Mohsen Makhmalbaf, um dos cineastas mais proeminentes do Irã depois de aceitar o prêmio Freedom to Create em Londres no mês passado. "Cada prêmio que eu recebo significa uma oportunidade para que eu ecoe suas vozes para o mundo, pedindo democracia para o Irã e paz para o mundo."

O líder supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, e o presidente Mahmoud Ahmadinejad agiram contra a indústria cinematográfica como parte do que chamam de "guerra macia" contra as influências ocidentais no país.

Khamenei realizou um encontro com cineastas no mês passado, no qual falou sobre como os filmes não são realmente arte, mas uma ferramente de propaganda política. Ele disse que o Oscar (como o Prêmio Nobel) "não têm valor e que os artistas nunca deveriam trabalhar para fazer filmes com o propósito de ganhar tais prêmios".

Mas os esforços do governo não têm silenciado os cineastas. Na reunião com o líder supremo, o premiado diretor Majid Majidi reclamou que não "há nenhum respeito pelos direitos humanos e que o governo é tão motivado de maneira ideológica que nossas mãos estão atadas", disse Jaleh Pirnazar, conferencista do Centro para Estudos do Oriente Médio, na Universidade da Califórnia, Berkeley.

(Reportagem de Michael Slackman)

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