Cinco anos após Katrina, Nova Orleans terá 560 km de proteção

Cidade arrasada em 2005 terá sistema de proteção ordenado pelo Congresso, com um anel de diques, paredes, portões e bombas

The New York Times |

O grande muro do Lago Borgne, em Luisiana, é um monstro. São quase três metros de comprimento e oito metros de altura, que abrangem um canto do lago, a 19 quilômetros de Nova Orleans. No dia 29 de agosto de 2005, este canto do lago canalizou a fúria do furacão Katrina contra Nova Orleans, causando algumas das enchentes mais violentas da cidade. Agora, o canto está sendo bloqueado.

Quase cinco anos depois do Katrina e do fracasso devastador do sistema de diques, a cidade de Nova Orleans está prestes a obter o sistema de proteção ordenado pelo Congresso: um anel de 560 quilômetros de diques, paredes, portões e bombas contra enchentes que rodeia a cidade e deve defendê-la contra o tipo de inundação que tem uma chance de 1% de acontecer.

A escala do projeto de cerca de US$ 15 bilhões, que não será concluído até o início da temporada de furacões do ano que vem, traz à mente uma era anterior, quando o país construiu grandes obras como a ponte do Brooklyn, a represa Hoover e o sistema de rodovias interestaduais.

As defesas reforçadas da cidade já estão mais fortes do que eram antes do Katrina. Mas mesmo depois de 2011, os especialistas argumentam, elas ainda oferecerão menos proteção do que Nova Orleans precisaria para evitar graves inundações em tempestades de grande escala.

Teste

Para uma região devastada por uma tempestade e pela perda de fé na capacidade do governo em protegê-la, o novo sistema é um teste de mais do que a proeza do Corpo de Engenheiros do Exército. Alguns moradores dizem que nunca irão superar inteiramente o fracasso da reação ao Katrina.

“É uma abordagem abrangente do sistema ”, afirmou Karen Durham-Aguilera, engenheira civil responsável pela realização do que é hoje conhecido como o Sistema de Redução de Risco de Furacões e Tempestades. “Nós já não estamos no mesmo universo”, concluiu.

As lições do Katrina foram aprendidas com um tremendo custo em vidas e bens materiais, mas podem ser vistas no trabalho realizado na cidade. Enquanto alguns dos antigos diques foram construídos com lama dragada e derrubados pela tempestade, os novos são temperados com argila.

Muitas paredes antigas foram moldadas, em seções transversais, em format de L e colocadas em solo lamacento que parecia quase ansioso para ceder, a maior parte do novo trabalho é mais resistente, em forma de T invertido, e fixado com estacas diagonalmente dirigidas ao chão. O corpo de engenheiros também tem reforçado algumas partes do solo profundo com cimento.

Outra diferença entre o sistema antigo e o novo é a resiliência, disse Durham-Aguilera. Se uma tempestade causar ondas contra as paredes novas, segundo ela, as ruas podem inundar mas as estações de bombeamento reforçadas eliminariam a água.

*Por John Schwartz

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