Cientistas testam cocaína em abelhas para entender vício humano

Zumbidos podem passar a ter um novo significado agora que cientistas deram cocaína a abelhas.

The New York Times |

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Para entender a bioquímica do vício, cientistas da Austrália pingaram cocaína líquida sobre as costas de abelhas, para que chegasse a seu sistema circulatório e cérebro.

Os cientistas descobriram que as abelhas reagem de forma similar aos humanos: a cocaína altera seu julgamento, estimula seu comportamento e as torna exageradamente entusiasmadas a respeito de coisas que em outra situação não seriam tão empolgantes.

Além disso, as abelhas demonstram sintomas de abstinência. Quando uma abelha estimulada com cocaína deixa de receber a substância subitamente, suas marcas nos testes de performance (aprendizado associado ao odor doce) declinam.

"O que vemos nas abelhas é um sistema maravilhosamente simples que revela como o cérebro reage ao abuso de drogas", disse Andrew B. Barron, professor da Universidade de Macquarie na Austrália e co-líder do estudo. "Pode ser que isso facilite a descoberta de formas de impedir que o cérebro reaja ao uso de drogas e então poderemos impedir o abuso entre os humanos".

A pesquisa, publicada no The Journal of Experimental Biology (Jornal de Biologia Experimental, em tradução literal), avança o conhecimento do sistema de compensação nos insetos, e busca "usar as abelhas como modelo para estudar a base molecular do vício", disse Gene E. Robinson, diretor do programa de neurociência da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign e co-autor juntamente com o Dr. Barron, além de Ryszard Maleszka e Paul G. Helliwell da Universidade Nacional Australiana.


Abelhas se comportam de maneira semelhante aos seres humanos quando consomem cocaína/ NYT

Os pesquisadores observaram abelhas cujo trabalho é encontrar alimento - voando até flores, descobrindo néctar e, se a descoberta for boa o suficiente, realizando uma "dança" específica para ajudar seus companheiros de colmeia a localizar o local.

"Muitas vezes elas deixam de dançar", disse o professor Robinson. "Apenas dançam se o alimento for de qualidade boa o suficiente e se a colônia realmente precisar dele".

Com a cocaína as abelhas "dançaram mais frequentemente e de maneira mais vigorosa pelos alimentos de mesma qualidade", disse o Dr. Barron. "Elas estavam inclinadas a dançar o dobro" das abelhas sóbrias, além de fazer isso "cerca de 25% mais rápido".

As abelhas não dançaram no lugar ou momento errado. A cocaína apenas as deixou mais agitadas a respeito do alimento que encontraram. Isso seria "o equivalente a quando um humano consome pequenas quantidades de cocaína", disse o Dr. Barron. "Eles acham muitos estímulos, mas principalmente os de compensação, maiores do que realmente são".

Agora, os cientistas estudam se as abelhas começarão a desejar cocaína e se precisarão de maiores quantidades para obter o mesmo efeito, como os humanos.

Os testes foram realizados na Austrália, e, segundo o Dr. Barron, "o reitor ficou muito preocupado com a cocaína no campus da Universidade. Mas a guardamos em um cofre dentro de um bloco de concreto em um prédio fora de alcance com uma combinação que nem eu sei. Um técnico do departamento de ética tem que supervisionar o uso da cocaína".

Tudo isso, segundo o Dr. Barron, para um suprimento do tamanho de uma abelha, "um grama durou dois anos. Um humano consome isso em uma noite. Eu não sou nenhum traficante".

Por PAM BELLUCK

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