Cientistas temem que inteligência artificial se torne maior que inteligência humana

Um robô que consegue abrir portas e encontrar uma tomada elétricas para se recarregar. Vírus de computador que ninguém consegue parar. Aeronaves que, ainda que controladas remotamente por humanos, se aproximam de uma máquina que pode matar autonomamente.

The New York Times |

Impressionados e alarmados com os avanços da inteligência artificial, um grupo de cientistas da computação está debatendo se deve haver limites sobre as pesquisa que poderiam conduzir à perda de controle humano sobre sistemas baseados em computadores que realizam uma parte crescente da carga de trabalho da sociedade, dos confrontos da guerra à conversa com clientes ao telefone.


Robôs já são capazes de realizar tarefas corriqueiras / NYT

Sua preocupação é que mais avanços possam criar profundos rompimentos sociais e até mesmo ter conseqüências perigosas.

Como exemplos, os cientistas apontaram várias tecnologias tão diversas quanto sistemas médicos experimentais que interagem com pacientes para simular empatia e vírus de computadores que desafiam exterminação e, pode-se dizer, atingiram o status de "baratas" da inteligência artificial.

Ainda que os cientistas da computação concordem que estamos longe de HAL, o computador que assumiu a astronave em "2001: Uma Odisséia no Espaço", eles afirmam que existe uma preocupação legítima de que o progresso tecnológico transformaria a mão-de-obra ao destruir uma ampla camada de empregos, bem como forçar os humanos a que aprendam a viver com máquinas que, cada vez mais, copiam seu comportamento.

Os pesquisadores (grandes cientistas da computação, de inteligência artificial e roboticistas que se encontraram no Espaço de Conferência Asilomar na Baía de Monterey, Califórnia), descartaram a possibilidade de super-inteligências  altamente centralizadas e a idéia de que inteligência possa surgir espontaneamente da Internet. Mas eles concordaram que robôs que podem matar autonomamente já existem ou existirão em breve.


Avião militar não-tripulado obedece a sistema eletrônico / NYT

Eles concentram particular atenção no espectro de que criminosos possam explorar sistemas de inteligência artificial assim que eles forem desenvolvidos. O que um criminoso poderia fazer com um sistema de síntese de fala que pode se passar por um ser humano? O que aconteceria se tecnologia de inteligência artificial fosse usada para extrair informações pessoais de smartphones?

Os pesquisadores também discutiram possíveis ameaças aos empregos humanos, como carros que dirigem sozinhos, softwares que servem como assistentes pessoais e robôs que limpam casas. No mês passado, um robô de serviço desenvolvido por Willow Garade no Vale do Silício provou que poderia operar no mundo real.

Um relatório da conferência que aconteceu no dia 25 de fevereiro será emitido ainda este ano. Alguns participantes falaram sobre o encontro pela primeira vez com outros cientistas este mês e em entrevistas.

A conferência foi organizada pela Associação para o Avanço de Inteligência Artificial e, ao escolher Asilomar para o encontro, o grupo evocou propositalmente um evento marcante na história da ciência. Em 1975, os principais biólogos do mundo também se encontraram em Asilomar para discutir a nova habilidade para reformar a vida trocando material genético entre organismos. Preocupados sobre possível riscos biológicos e questões éticas, os cientistas haviam parado certos experimentos. A conferência conduziu a diretrizes para a pesquisa com DNA, permitindo a continuação das pesquisas.

A reunião sobre o futuro de inteligência artificial foi organizada por Eric Horvitz, pesquisador da Microsoft que agora é presidente da associação.

Horvitz disse acreditar que os cientistas da computação devem responder à ideia de que máquinas super-inteligentes e sistemas de inteligência artificial podem enlouquecer.

A idéia de uma "explosão de inteligência" na qual máquinas inteligentes projetariam máquinas ainda mais inteligentes foi proposta pelo matemático I.J. Good em 1965. Depois, em conferências e romances de ficção científica, o cientista da computação Vernor Vinge popularizou a noção de um momento no qual os humanos criarão máquinas mais inteligentes do que eles mesmos, causando uma mudança tão rápida que "acabará com a era humana". Ele chamava esta mudança de Singularidade.

Esta visão, abraçada em filmes e livros, é vista como plausível e perigosa por alguns cientistas como William Joy, co-fundador da Sun Mycrosystems. Outros tecnólogos, notavelmente Raymond Kurzweil, exaltaram a vinda de máquinas ultra-inteligentes, dizendo que ela oferecem enormes vantagens à extensão da vida e riqueza da criação.

"Algo novo aconteceu nos últimos cinco a oito anos", disse Horvitz. "Os tecnólogos estão substituindo a religião e suas idéias estão ressonando de alguma forma com a mesma idéia do Apocalipse".

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