Cientista alega preconceito e processa EUA

PITTSBURGH, Pensilvânia ¿ Um físico nuclear nascido no Egito e que trabalhou por 18 anos em um laboratório financiado pelo governo nos EUA deu entrada em um processo nesta quinta-feira, 26, alegando que o Departamento de Energia revogou seu certificado de segurança (permissão dada a uma pessoa em tratar de um assunto classificado por motivos de segurança) devido a sua etnia, sua fé muçulmana e comentários feitos a respeito da guerra do Iraque.

The New York Times |

O físico, Abdel Moniem Ali el-Ganayni, 57, perdeu seu trabalho pouco tempo depois de seu certificado ser revogado em Maio por Jeffrey F. Kupfer, secretário do Departamento de Energia, que citou a segurança nacional ao se recusar a revelar o que estava escrito na revogação.

Nossa alegação é que o Departamento invocou a segurança nacional para livrar-se de nos dar explicações sobre o que está acontecendo, disse Witold Walczak, um dos advogados de Ganayni e diretor legal da União das Liberdades Civis da Pensilvânia.

Ganayni naturalizou-se em 1988, oito anos depois de chegar a Pittsburgh para cursar mestrado e doutorado. Seu antigo empregador, o Laboratório Bettis declarou que poderia recontratá-lo caso seu certificado fosse restabelecido. 

No processo, Ganayni, que foi casado com uma norte-americana por 26 anos, alega que sua liberdade de expressão e seus direitos básicos foram violados, assim como sua liberdade de professar sua fé e seu direito de ter igual proteção aos demais cidadãos. Ele pede uma chance para contestar a anulação de seu certificado antes que um oficial imparcial seja ouvido. 

Em uma declaração na quinta-feira, 26, o Departamento de Energia disse que isso é uma questão de segurança pessoal na medida em que nenhum departamento tem explicações públicas a dar.

O certificado de Ganayni foi suspendido pela primeira vez em outubro de 2007 depois de uma entrevista com um agente do Departamento de Energia e um oficial de segurança do laboratório, que trabalha com propulsão nuclear e projetos para a Marinha. 

Ganayni disse que naquela entrevista de três horas e outra de quatro horas com o FBI duas semanas mais tarde, ele foi questionado sobre sua religião, dinheiro enviado para outro continente e comentários feitos em 2006 em uma mesquita local criticando a guerra do Iraque. Mas ele disse que nunca foi questionado sobre violações de segurança em seu trabalho enquanto cientista sênior no laboratório Bettis.   

O que eu disse sobre a guerra do Iraque, muitos, muitos norte-americanos disseram, e muitos senadores também, alegou Ganayni, mas quando eu disse, eu me tornei um traidor. Isso não está correto.

Por SEAN D. HAMILL

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