Cidades reabrem canais em busca de soluções para problemas urbanos

SEOUL, Coreia do Sul ¿ Durante meio século, um escuro túnel de concreto cercou mais de cinco quilômetros de um plácido riacho que atravessa esta moderna cidade.

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Milhares de pessoas visitam o canal de Cheonggyecheon anualmente

Milhares de pessoas visitam o canal de Cheonggyecheon anualmente

O canal fazia parte do cenário de Seoul desde que os reis da Dinastia Choson escolheram sua nova capital há 600 anos, atraídos pela graciosidade do riacho e seus 23 afluentes. Mas na era industrial que se seguiu à Guerra Coreana, o canal, que havia se tornado um esgoto a céu aberto, foi enterrado em concreto e esquecido debaixo de uma malha de viadutos conforme a população da cidade inchava para 10 milhões de pessoas.

Hoje, depois de um projeto de recuperação de US$ 384 milhões, o canal, chamado Cheonggyecheon, foi libertado de sua sombria prisão e percorre um trajeto ladeado por vegetação. Pessoas fazem piqueniques às suas margens e molham os pés em suas águas, onde carpas nadam tranquilamente.

A restauração do Cheonggyecheon é parte de um esforço ambiental crescente em cidades de todo o mundo para dar "luz do dia" aos rios, riachos e canais removendo o concreto que foi colocado sobre eles para impulsionar o comércio e servir de passagem para o tráfego de automóveis há três décadas.

Cidades de San Antonio a Cingapura têm ressuscitado rios e transformado córregos em riachos. Em Los Angeles, grupos de  moradores e alguns oficiais eleitos passaram a ver riachos enclausurados como bens valiosos, inspirados parcialmente pelo exemplo de  Seoul.

Ao construir novos corredores verdes em torno das águas expostas, as cidades esperam atrair trabalhadores afluentes e educados e moradores que apreciam a sensação de um ambiente natural dentro das cidades.

Ambientalistas apontam outros benefícios. Canais abertos lidam com o fluxo das chuvas melhor do que os fechados, uma consideração importante agora que aquecimento global promete aumentar o índice de chuvas. Os riachos também tendem a esfriar áreas superaquecidas pelo asfalto quente e alimentar o surgimento de hortas e vida selvagem, bem como de pedestres.

Alguns oponentes políticos acusaram a reconstrução em Seoul de ser cara demais, uma vez que quase toda a água que corre entre as margens em um dia típico é bombeada artificialmente do rio Han por tubulações.

Mas quatro anos depois de ser descoberto, segundo as autoridades locais, os benefícios ambientais do canal já podem ser quantificados. Informações mostram que o ecossistema ao longo do Cheonggyecheon foi enriquecido, com o número de peixes aumentando de quatro para 25. As espécies de aves se multiplicaram de seis para 36 e a de insetos de 15 para 192.

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Projeto de recuperação diminui poluição de carros no local
Projeto de recuperação diminuiu
poluição de carros no local
O projeto de recuperação, que removeu cinco quilômetros de viadutos, também diminuiu a poluição de carros ao longo do corredor e reduziu a temperatura do ar. As pequenas partículas de poluição do ar caíram de 74 metros cúbicos para 48 e as temperaturas durante o verão estão pelo menos cinco graus mais baixas na redondeza, de acordo com informações das autoridades locais.

Além disso, mesmo com a perda de algumas faixas para carros, o tráfego não piorou por causa do investimento paralelo em transportes públicos, a restrição à circulação de carros e a cobrança mais alta do estacionamento nas ruas.

"Nós basicamente abandonamos o modelo voltado aos carros, para nos tornar uma cidade voltada às pessoas", disse Lee In-keun, assistente de infraestrutura de Seoul, que foi convidado a visitar cidades como Los Angeles para descrever seu projeto a outros planejadores urbanos.

Cerca de 90 mil pedestres passam pelas margens do canal de Seoul em um dia comum.

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