Cidade japonesa pede restrições à pesca de atum

OMA, Japão - Os pescadores locais o chamam de ouro preto, se referindo à carne vermelha escura do atum do Pacífico que é tão adorado nesta nação famosa por seu sashimi.

The New York Times |

Um único destes peixes macios e lustrosos que chegam a pesar meia tonelada pode valer milhares de dólares.


Pesca industrial no Japão prejudica pescadores tradicionais / NYT

As águas frias desta região já significaram tamanha abundância de atum, com grossas camadas de saborosa gordura, que este pequeno porto chegou a ser para o Japão o que o Vale Napa da Califórnia e a região produtora de queijos Brie na França são para seus países: um local geográfico que é quase sinônimo de uma das melhores comidas de sua nação.

O fascínio do atum de Oma é tão grande que, durante a temporada de pesca do outono, milhares de famintos visitantes chegam a esta remota vila de pescadores, localizada na ponta norte da ilha de Honshu, a principal do Japão.

Mas agora a cidade enfrenta uma ameaça iminente: a queda contínua do número de atum nos últimos anos principalmente por causa da pesca excessiva.

Isto deu a Oma outro distinção menos célebre, como uma comunidade que se sobressaiu por pedir maior regulação na pesca em um país que se opõe inflexivelmente a esforços globais para salvar as populações de atum.

Há uma ou duas décadas, cada barco daqui pegava três ou quatro atuns por dia, dizem os pescadores. Agora, eles contam que toda a frota de Oma de quase 40 barcos tem sorte se conseguir trazer um total combinado de meia dúzia de atuns em um dia.

O problema, segundo eles, é que todos os peixes estão sendo capturados por traineiras grandes que vem de outras áreas do Japão, ou de locais ainda mais longe como Taiwan e China.

Alguns destes navios chegam a usar helicópteros para localizar cardumes de atum, que pescam com enormes redes ou iscas colocadas em longos fios.

Especialistas em pesca dizem que a captura excessiva resulta de um amplo fracasso por parte das autoridades de Tóquio em impor limites efetivos à pesca em suas águas.

Na verdade, o Japão, que consome cerca de 80% das 60 mil toneladas de atum de alta qualidade pescado no mundo, tem agido contra os esforços de limitar a captura do atum, como em regulações propostas por países europeus para o Oceano Atlântico.

"Eu fico furioso que os burocratas de Tóquio não protejam nosso atum", disse Hirofumi Hamahata, 69, presidente da cooperativa dos pescadores de Oma, que trabalha como um pescador comercial desde os 15 anos.

"Eles não erguem um dedo contra a pesca industrial que está limpando nossos oceanos".

- Martin Fackler

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