Cidade de Zeppelin fica famosa ao retomar fabricação de dirigíveis

FRIEDRICHSHAFEN, Alemanha - O conde Ferdinand von Zeppelin lançou seu primeiro dirigível aqui, diretamente do Lago Constance, em 1900.

The New York Times |

Assim teve início um capítulo da história da aviação que levou a cidade de Friedrichshafen ao palco mundial e fez do local um dos principais alvos das bombas aliadas durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso, lhe concedeu o legado de uma grande fundação financiada pelas companhias sucessoras da idéia original do Conde von Zeppelin.

De acordo com a cidade, a fundação gera entre US$60 milhões e US$80 milhões ao ano para a população de apenas 57 mil. Essa generosidade apóia projetos que variam de almoços escolares para crianças menos favorecidas ao patrocínio de equipes esportivas e de uma nova biblioteca. A ameaça de perder essa fundação foi o que motivou os pais da cidade a retomar o negócio do zeppelin há duas décadas.

Essa escolha prudente manteve a fundação nas mãos da cidade e ainda pode se provar uma boa decisão política por si mesma.

Graças ao baixo consumo de combustível, os dirigíveis voltaram a receber muita atenção nessa era de alta do petróleo. Mas ainda que os zeppelins inspirem grande lealdade entre o que trabalham neles e uma certa magia entre os que observam seu crescimento, o retorno financeiro ainda mal alçou vôo.

Desde que a nova linha de zeppelins chegou aos ares há 11 anos aqui, a companhia ZLT Zeppelin Luftschifftechnik GmbH construiu apenas quatro, incluindo o protótipo, e vendeu apenas dois.

"De um ponto de vista econômico, o investimento foi um retrocesso completo", disse Josef Buechelmeier, prefeito de Friedrichshafen. "Nós fizemos o produto e só depois procuramos por um mercado para ele".

Histórico

Cem anos atrás, o Conde von Zeppelin tentou voar um de seus dirigíveis por 24 horas consecutivas. Infelizmente, a tentativa terminou num acidente e na destruição total da aeronave. Uma onda de doações espontâneas, de organizações civis à mesada de crianças, possibilitaram que o famoso conde desse continuidade a seu trabalho.

Com esse dinheiro, o Conde Zeppelin iniciou a fundação dedicada ao desenvolvimento de dirigíveis. Caso esse objetivo se mostrasse impossível, a fundação passaria para as mãos da cidade de Friedrichshafen. Quando os zeppelins passaram por seu momento de importância (serviços de passageiros da Alemanha chegavam até lugares remotos como o Brasil) os sucessores do conde diversificaram os negócios para fornecer tecnologia e material necessários para criar dirigíveis mais modernos.

Mas logo depois da Segunda Guerra Mundial, parecia impossível que os aliados vitoriosos permitiriam que os alemães voltassem a fabricar zeppelins (que foram usados para bombardear cidades e em outras missões militares). Como resultado disso, em 1947, a autoridade francesa ocupante entregou a fundação à cidade de Friedrichshafen.

Mas assim que a Alemanha Ocidental recuperou suas forças e indústrias armadas, a decisão dos ocupantes não caiu bem entre quem seguia os passos do conde e construía zeppelins.

"Sempre atacaram a propriedade da fundação pela cidade", disse Bernd Wiedmann, prefeito da cidade entre 1985 e 2001.

Por NICHOLAS KULISH

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