Cidade de cassinos nos EUA aposta na população hispânica

Em Nevada, rede de cassinos contrata atendentes bilíngues e imprime regras de jogos em espanhol para atrair novo nicho

The NewYork Times |

Durante décadas, Primm, a cidade de cassinos na borda oeste do Estado de Nevada, tem contado com a geografia para atrair jogadores da Califórnia relutantes em dirigir outros 70 km até o glamour de Las Vegas.

Mas com a economia em crise, esta cidade sofreu os mesmos infortúnios econômicos da sua vizinha mais famosa. E os problemas foram agravados pela proliferação de cassinos indígenas na Califórnia, que oferecem muito mais atrações que qualquer cidade de Nevada. A empresa responsável pelos três casinos locais declarou falência em 2009.

NYT
Visitantes jogam no Buffalo Bill's Resort e Cassino e um cartaz informa sobre a existência de mesas bilíngues no local (27/08)
Agora, a Primm Valley Resorts Casino acredita que assediar agressivamente os latinos do sul da Califórnia irá ajudá-los a ter sucesso.

Eles têm jogos do blackjack com atendentes bilíngues e regras impressas em espanhol sobre as mesas – e são os primeiros cassinos no Estado a fazer isso. No ano passado, começaram uma série de concertos com populares músicos de língua espanhola, que lotam a casa. Nos fins de semana, o cassino recebe tanta gente que até parece véspera de Ano Novo.

"As pessoas sempre disseram coisas como 'esse grupo não joga’", disse Jay Thiel, vice-presidente de operações do cassino, que já trabalha no setor há mais de 30 anos. "Mas nós observamos e percebemos que eles estavam aqui sim. Nós não tínhamos ideia de quão errada era aquela ideia".

Se alguma organização latina vê desvantagem nisso, ela não se manifestou. Muitos líderes latinos dizem que estão satisfeitos com a atenção dada aos consumidores hispânicos e não expressaram temores a respeito da introdução dos jogos de azar em suas vidas.

Mary Cuadrado, professora de Justiça Criminal na Universidade do Texas, em El Paso, tem estudado os latinos que procuram tratamento para o vício do jogo, e disse: "A questão não é que as pessoas vão se tornar viciadas de repente, mas há evidências de que os latinos são menos propensos a procurar tratamento caso tenham um problema."

Stuart Richey, o gerente geral assistente e vice-presidente de marketing da Primm Valley, disse que embora ainda comercializem para outros nichos, como os fãs de música country e aposentados, “nenhum outro grupo inspirou tamanha mudança na maneira como fazemos negócios. O impacto é realmente surpreendente”.

Quando Espinoza Paz, uma cantora pop mexicana, tocou para uma multidão que lotou a casa de shows no último fim de semana, cada um dos 2600 quartos do resort foram ocupados.

"As pessoas em Las Vegas matariam para conseguir esses números", disse Richey.

As mudanças que o hotel adotou para atender esse mercado podem ser percebidas em toda parte – há diversas placas em espanhol: "Juegue blackjack en su idioma", anuncia uma. Outra deseja aos clientes do restaurante um "buen provecho". Os gestores estão tentando encontrar mais funcionários que falem espanhol, para que possam orientar melhor os hóspedes. A banda do bar do cassino tem atabaques e garçonetes oferecendo shots de tequila.

"Nos sentimos confortáveis aqui. Bem-vindos", disse Pascual Campos, 45, que veio de Palmdale, Califórnia, com sua mãe, seu primo, sua esposa e seus dois filhos. "Eu não pago pelos quartos, eu não pago pelas refeições, eu não pago pelos shows. Eu apenas pago para jogar 21. Eles me tratam como um rei por isso. Claro que quero voltar."

Muitos dos convidados que passam o fim de semana são frequentadores assíduos. Tal como acontece em Las Vegas, o hotel tenta cultivar uma espécie de lealdade entre os jogadores, oferecendo refeições gratuitas, quartos e outras regalias para aqueles que gastam mais dinheiro. Aqui, alguém que gasta US$ 1.000 em um fim de semana é visto como um grande jogador. Em Las Vegas, esse tipo de gasto nem mesmo chamaria a atenção de um supervisor. Claramente, um dos principais objetivos do marketing é trazer pessoas para o casino que não estariam ali de outra forma, ou pelo menos, não com tanta frequência.

"Você não precisa gastar muito dinheiro para ganhar", disse Lourdes Pena, 26, enquanto ensinava sua amiga Maria Ramirez, 24, uma novata no jogo, a operar duas máquinas caça-níqueis ao mesmo tempo.

* Por Jennifer Medina

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