Cidade australiana fica famosa ao banir venda de água engarrafada

BUNDANOON, Austrália ¿ Quando os moradores desta cidade votaram a favor da abolição da venda de água engarrafada, eles não esperavam que isso os colocaria sob os holofotes de todo o mundo.

The New York Times |

Com uma decisão quase unânime em um encontro comunitário, as pessoas desta pequena e turística cidade deram início a um debate mundial sobre os efeitos sociais e ambientais da água engarrafada que alarmou a indústria de bebidas.

Oficiais estatais e municipais dos Estados Unidos têm tentado diminuir o uso da água engarrafada em escritórios públicos nos últimos anos, citando inúmeras preocupações, como o uso de energia para a fabricação e transporte das águas, além da queda na confiança pública nos reservatórios municipais. Mas até onde se sabe, Bundanoon é a primeira cidade do mundo a parar de vender a água engarrafada.

Localizada na região montanhosa a sudeste de Sidney, Bundanoon é uma cidade tranquila, com jardins bem cuidados e casas curiosas, cercadas por mansões de lazer de ricos moradores da capital. Este é o tipo de lugar no qual estranhos conversam em bancos de praça ao longo da rua principal e moradores locais depositam flores frescas diante do memorial eregido aos mortos em guerras.

NYT
Huw Kingston é a favor do fim da água engarrafada

Huw Kingston é a favor do fim da água engarrafada

De acordo com Huw Kingston, dono da bicicletaria Ye Olde Bicycle Shoppe e líder da campanha a favor da água corrente, a proibição não teve início como uma cruzada ecológica. Tudo começou quando uma companhia engarrafadora buscou permissão para extrair milhões de litros de água do leito local.

No começou, os moradores ficaram angustiados com a possibilidade de caminhões percorrerem suas silenciosas ruas. Mas conforme a oposição aumentava, Kingston disse que muitos passaram a questionar a ideia de extrair a água e transportá-la em caminhões por 160 km para que seja engarrafada em uma fábrica em Sidney e então transportada para outros lugares (talvez até mesmo para Bundanoon) para que fosse vendida.

"Nós percebemos, como comunidade, do que se trata a indústria do engarrafamento de água", disse Kingston. "Então surgiu a ideia de que, se não queríamos a extração em nossa cidade, então talvez não devêssemos nem mesmo vender seu produto final".

Uma dezena de ativistas se reuniu e pediu um encontro municipal. Dos 356 moradores que compareceram para a votação, apenas um se opôs.

A abolição é voluntária. Mas com o apoio do público, os seis supermercados da cidade concordaram em retirar o produto de suas prateleiras até setembro. Eles planejam recuperar as perdas vendendo garrafas plásticas reutilizáveis, que podem ser enchidas em bebedouros públicos espalhados pela cidade.

Alguns dos 2.500 moradores da cidade dizem que apoiam o plano porque temem os efeitos dos químicos presentes no plástico, outros veem a atitude como uma manifestação positiva contra a extração da água do leito local.

Outros, no entanto, são céticos em relação ao conselho local conseguir manter novos bebedouros ou fontes, enquanto outros temem as implicações para a saúde das alternativas adocidadas que tomarão conta das prateleiras.

"Eu não sei por que devemos implicar com a água", disse Trevor Fenton, aposentado e morador de Bundanoon. "Eu gostaria de vê-los proibir os refrigerantes, mas eles nunca fariam isso".

Ambientalistas têm conseguido atenção na luta contra a água engarrafada. Além de novas restrições impostas pelo governo nos Estados Unidos, muitos restaurantes caros também substituíram águas engarrafadas importadas por água da torneira. Recentemente, um comitê congressista americano debateu qual o próximo passo para regular a indústria de água engarrafada depois de rever dois novos estudos que questionam se a água engarrafada é mais segura do que a da torneira.

Na Austrália, a maior parte das águas engarrafadas é produzida domesticamente, em garrafas recicláveis que representam uma pequena proporção do lixo em aterros, de acordo com Geoff Parker, chefe executivo do Institudo de Água Engarrafada Australasian.

"Nós precisamos analisar o produto", disse Parker. "Há milhares de produtos no setor consumidor que deixam um rastro de carbono muito maior do que as garradas d'água".

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