Chineses ignoram história revelada por múmias em disputa política

URUMQI, China - Uma exposição no primeiro andar do museu local revela o opinião inequívoca do governo sobre a história desta região fronteiriça: Xinjiang sempre foi uma parte inalienável do território da China, diz um cartaz.

The New York Times |

Mas no segundo andar, corpos antigos em exposição revelam outra história.

Loulan Beauty, deitada de costas com os cabelos emaranhados na altura dos ombros, lábios franzidos na morte, bochechas altas e o nariz fino, mostra claros sinais de que não é o que se chama de chinês.


Múmia preservada aponta origem de população em região chinesa / NYT

Ele é uma das mais de 200 incrivelmente preservadas múmias descobertas no deserto ocidental nas últimas décadas. Os corpos antigos se tornaram protagonistas de uma disputa política sobre quem deve ter o controle da região autônoma de Xinjiang.

As autoridades chinesas locais enfrentam intermitentes movimentos  separatistas dos nacionalistas Uighurs, um povo muçulmano de fala  turca que soma 9 milhões de pessoas em Xinjiang.

No centro do problema está a questão: Quem chegou primeiro a essa  inóspita região chinesa? E por há quanto tempo a região faz parte do  império chinês?

Nacionalistas Uighur demonstraram evidências das múmias, cujos corpos viveram ao longo de milhares de anos, para defender alegações  históricas sobre a região.

Estudiosos estrangeiros dizem que, no mínimo, as múmias mostram que  Xinjiang sempre foi um centro de encontro cultural, um local onde  pessoas de diversos cantos da Eurásia fundaram sociedades e onde  culturas se sobrepuseram.

As múmias parecem indicar que as primeiras pessoas a chegarem na  região vinham do ocidente (da Ásia Central e ainda mais longe) e não  das planícies férteis do interior chinês. A mais velha, como Loulan  Beauty, data 3.800 anos.

Um geneticista italiano concluiu em 1995 que pelo menos duas das  múmias tinham marcas genéticas europeias.

Victor H. Mair, professor de cultura chinesa na Universidade da  Pensilvânia que esteve à frente dos estudos internacionais sobre as  múmias, discordou de sugestões de que as múmias sejam do leste da  Ásia.

As múmias mais antigas, segundo ele, são provavelmente Tocharianas,  pastores que viajaram para o oriente através da Ásia central e cuja  língua pertencia à família indo-europeia.

- EDWARD WONG

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