Chineses buscam espaço no leste europeu

Escola sino-húngara é exemplo de expansão da China, que busca trampolim para mercado da União Europeia

The New York Times |

As paredes da sala de aula da escola bilíngue sino-húngara local são decoradas com calendários e pôsteres chineses. Há lanternas chinesas penduradas no teto do hall de entrada principal e pilhas de novos livros em língua chinesa na sala de professores, fornecidos por autoridades da China.

O refeitório da escola, no entanto, serve apenas comida local. "Sem comida chinesa, pelo menos por enquanto", disse Viktoria Schaff, professora da instituição.

Tudo isso faz sentido, uma vez que a composição da escola pública, a única de seu tipo em qualquer lugar da Europa Oriental, mudou muito desde que abriu em 2004, em resposta ao crescente número de chineses que trabalham na Hungria e de empresas chinesas que investiram na região.

No primeiro ano, a escola tinha 86 alunos, todos provenientes da China ou de outros países asiáticos. Dos 229 alunos que começaram este mês, 90 são da Hungria.

"Mais e mais pais húngaros estão enviando seus filhos para estudar aqui", disse Viktoria. "Seus pais veem enormes oportunidades que se abrem para eles conforme a China se torna mais importante".

Mas a educação não é a única área na qual a China está fazendo incursões na Europa Central e Oriental. Dos Estados bálticos aos Balcãs, as empresas chinesas, armadas com dinheiro para investir, estão comprando imóveis e competindo por contratos de infraestrutura pública, especialmente conforme a Polônia e a Ucrânia batalham para sediar o campeonato de futebol europeu de 2012.

Eles também estão investindo na fabricação de eletrônicos e produtos químicos para ganhar uma posição dentro do mercado expansivo do bloco europeu.

Polônia

Na Polônia, no ano passado, um consórcio chinês conquistou o contrato para construir dois trechos de uma estrada de Lodz a Varsóvia. Não foi um grande negócio, mas foi a primeira vez que uma empresa não polonesa ou não europeia recebeu um contrato que será parcialmente financiado pela União Europeia.

Aliado a isso, os fluxos de comércio também mudaram. "A China costumava principalmente exportar têxteis, calçados e chá para a Polônia", disse Tomasz Ostaszewicz, diretor do departamento de cooperação econômica bilateral, no Ministério da Economia da Polônia. "Agora, é o nosso principal fornecedor de produtos eletrônicos".

Até pouco tempo atrás, em 2007, os investimentos chineses na Polônia e na Europa Oriental eram quase insignificantes. "Os investimentos chineses na Polônia representavam 70 milhões de euros em 2007", ou cerca de US$ 92 mil nas taxas de câmbio atual, disse Ostaszewicz. "Mas o montante previsto de investimento chinês para 2010 poderá atingir 500 milhões de euros", estimou.

Expansão

As empresas e as autoridades chinesas estão fazendo compras em outros países da região. No ano passado, a China assinou um acordo para emprestar US$ 1 bilhão para a Moldávia, um dos países mais pobres da Europa. O Banco Central da China também concordou com uma troca de câmbio de três anos no valor de US$ 2,3 bilhões com a Bielorrússia.

Segundo Ma Changlin, conselheiro econômico e comercial da embaixada chinesa em Varsóvia, o plano é ambicioso. De olho no futuro, a China "está interessada em usar a região como um trampolim para o resto da União Europeia”.

*Por Judy Dempsey

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