China usa ajuda externa para cortejar países em desenvolvimento

WINDHOEK - Quando o presidente Hu Jintao da China chegou aqui em fevereiro de 2007 com uma delegação de 130 pessoas claramente não se tratava apenas de uma visita de cortesia.

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Tekla Lameck, direita, comissária de serviço público da Namíbia,
na corte da capital, Windhoek, em agosto de 2009

Na verdade, a o governo chinês logo concedeu à Namíbia um empréstimo de juros baixos, que o país usou para comprar scanners de carga feitos na China no valor de US$ 55,3 milhões para intimidar contrabandistas. Era uma ilustração perfeita, os oficiais chineses disseram, de como fazer o bem na Namíbia poderia fazer bem para a China também.

Ou pelo menos é o que parecia até que a Namíbia acusou a companhia estatal escolhida pela China para prover os scanners (que até recentemente era comandada pelo filho de Hu) de facilitar a transação com milhões de dólares em propinas ilegais.

E até que a China colocou barreiras quando investigadores da Namíbia pedirem ajuda sobre o assunto.

Agora os scanners parecem ilustrar outra coisa: a aura promocional e sigilosa que cobre o uso de milhões de dólares em ajuda externa pela China para cortejar o mundo em desenvolvimento.

Do Paquistão a Angola e Quirguistão, a China está usando sua enorme reserva de moeda corrente estrangeira para cimentar alianças diplomáticas, garantir acesso seguro a recursos naturais e impulsionar o comércio de suas companhias.

A ajuda externa - tipicamente empréstimos de juros baixos, muitas vezes liberados junto com linhas de crédito mais comerciais - é central neste esforço.

Líderes de países em desenvolvimento têm abraçado o discurso chinês de crédito fácil sem exigências do estilo ocidental de reforma política ou econômica.

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Sede do Banco Exim do governo chinês em Pequim

Os resultados podem ser vistos claramente em novas estradas, usinas de energia e redes de telecomunicações em todo o continente africano - mais de 200 projetos desde 2001, muitos financiados com empréstimos preferenciais do Banco Exim do governo chinês.

Cada vez mais, no entanto, peritos argumentam que a ajuda chinesa vem com uma cláusula importante: ela precisa ser usada para comprar bens ou serviços de companhias que os próprios oficiais chineses selecionam, muitas dela estatais.

A licitação competitiva realizada pela nação que recebe o empréstimo é desencorajada e a China esconde dados vitais como os custos dos projetos, as condições dos empréstimos e do seu pagamento.

Até mesmo a quantia de dólares oferecidos como ajuda externa é tratada como um segredo de Estado.

"A China está usando estes financiamentos para comprar a lealdade da elite política", disse Harry Roque, professor de Direito da Universidade das Filipinas que está desafiando a legalidade de projetos financiados pelos chineses no seu país.

"É uma ferramenta muito eficiente de diplomacia. Mas é ruim para os cidadãos que têm que pagar por estes empréstimos envoltos em contratos obscuros".


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