Entenda os protestos no Tibete http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/13/china_enfrenta_desafio_mundial_ao_sediar_olimpiada_de_2008_1270077.htmlChina enfrenta desafio mundial ao sediar Olimpíada de 2008 http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/18/china_impoe_restricoes_a_concessao_de_vistos_segundo_agencias_de_viagens_1277576.htmlChina impõe restrições à concessão de vistos" / Entenda os protestos no Tibete http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/13/china_enfrenta_desafio_mundial_ao_sediar_olimpiada_de_2008_1270077.htmlChina enfrenta desafio mundial ao sediar Olimpíada de 2008 http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/18/china_impoe_restricoes_a_concessao_de_vistos_segundo_agencias_de_viagens_1277576.htmlChina impõe restrições à concessão de vistos" /

China usa a história para reforçar domínio sobre Tibete

PEQUIM ¿ Não longe do Estádio Nacional, a arena olímpica gigante recém-acabada, outro projeto de construção ainda enfrenta um prazo olímpico. http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/18/entenda_os_protestos_no_tibete_1278604.htmlEntenda os protestos no Tibete http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/13/china_enfrenta_desafio_mundial_ao_sediar_olimpiada_de_2008_1270077.htmlChina enfrenta desafio mundial ao sediar Olimpíada de 2008 http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2008/04/18/china_impoe_restricoes_a_concessao_de_vistos_segundo_agencias_de_viagens_1277576.htmlChina impõe restrições à concessão de vistos

The New York Times |

A construção, coberta por uma tenda verde, será o primeiro museu de Pequim dedicado exclusivamente ao Tibete.

Dentro, curadores irão mostrar antiguidades, documentos de dinastias e reproduções para demonstrar o domínio da China sobre o Tibete desde o século 13. Muitos especialistas questionam as declarações históricas chinesas, mas poucas dúvidas irão rodear o museu. Até mesmo o Dalai Lama ficará de fora dessa narrativa.

Ele não aparecerá até depois de 1959, disse Lian Xiangmin, um acadêmico chinês envolvido no museu, se referindo ao ano que o líder espiritual tibetano fugiu para a Índia depois do fracasso de um levante contra o domínio da China. Esse é um museu tibetano, e nós não o reconhecemos mais como parte do Tibete.

História como ferramenta

A história muitas vezes é interpretada para se adequar aos objetivos políticos de qualquer governo que esteja interpretando-a. A relação histórica entre o Tibete e a China está cheia de reivindicações, disputas e advertências. Mas o Partido Comunista não hesita em eliminar qualquer incerteza e usar a história como ferramenta política para validar seu domínio sobre a região.

Se a visão resoluta do partido sobre o status histórico do Tibete efetivamente reprimiu qualquer opinião doméstica dissidente, também aumentou o ressentimento tibetano. As autoridades agora estão suprimindo a maior explosão anti-China na região em duas décadas, um levante violento que muitos tibetanos culpam, em parte, a uma raiva acumulada da repressão cultural e religiosa.

Monges budistas que lideraram, inicialmente, protestos pacíficos ao redor de Lhasa estavam reclamando, em parte, sobre as campanhas de educação patriótica que exigiam que eles denunciassem o Dalai Lama e inserissem nas aulas de história o controle do Tibete por direito da China. Na semana passada, monges do monastério Drepung, do lado de fora de Lhasa, a capital da Região Autônoma do Tibete, relataram novos protestos contra uma segunda rodada de educação patriótica.

Por toda a China, as crianças aprendem na escola que o Tibete é uma parte inalienável do país. Viagens por Lhasa têm que seguir versões aprovadas de história. Acadêmicos dissidentes foram marginalizados, censurados e, em vários casos, presos.

História está ligada a legitimidade, disse Tashi Ragbey, diretor da Iniciativa de Estudos Contemporâneos Tibetanos, na Universidade de Virginia. O problema para Pequim é que sua presença no planalto tibetano nunca foi legitimizado. E sua tentativa de controlar a história é uma iniciativa para fazer isso.

O Tibete atinge um ponto fraco para muitos chineses, incluindo aqueles que vivem no exterior, por causa do legado de intervenção externa na China durante o século 19 e o começo do século 20. Tropas britânicas invadiram o Tibete em 1903 e 1904, quando a dinastia Qing estava perto do colapso. Hoje, muitos chineses se lembram do papel da Agência Central de Inteligência no Tibete durante os anos 50 e interpretam a simpatia ocidental dos atuais protestos como mais uma iniciativa internacional de desestabilizar e dividir a China.

Versão chinesa

O Partido Comunista claramente quer reagir ao que considera como impressões internacionais erradas sobre o status do Tibete e se focou na história como um campo importante para argumentar seu caso. O governo estabeleceu mais de 50 instituições de pesquisa dedicadas ao Tibete e, por extensão, o apoio da versão chinesa sobre a história tibetana.

Em 2000, Zhao Qizheng, o ex-ministro da Informação para o Conselho de Estado, o gabinete político da China, disse para acadêmicos em uma conferência sobre o Tibete que sua pesquisa deveria ser usada para influenciar a opinião externa.

Deveríamos maximizar o uso de nossos 50 centros de tibetologia e mil tibetologistas para realizar trabalho de propaganda externa sobre o Tibete, disse Zhao. Seu discurso foi obtido e publicado por um grupo pró-Tibete. Ele acrescentou: devemos aumentar nossa influência em tibetologistas estrangeiros. Através do intercâmbio cultural, devemos ampliar nossa influência na comunidade internacional e sua opinião.

Lian, o acadêmico, disse que o museu está sob a proteção do Centro de Pesquisa do Tibete na China, em Pequim. Ele afirmou que os acadêmicos chineses, há muito separados do mundo externo, agora dividiam seu trabalho em conferências internacionais e o promoviam pela internet. Lian comentou que a sabedoria, não política, era a prioridade de seu centro.

Como acadêmicos, a verdade é o que mais importa para nós, disse Lian, chefe de pesquisa no centro de tibetologia. Todo mundo pode ter sua visão pessoal dos assuntos, mas você precisa ter provas para sustentar seu argumento.

Mas outros estão menos convencidos, especialmente aqueles censurados por suas visões dissidentes.

Woeser, uma blogueira tibetana, perdeu seu trabalho de edição em uma revista literária baseada em Lhasa depois de escrever um livro em 2003, Notas do Tibete, que incluía uma amigável referência ao Dalai Lama. Eles escreveram para a editora e disseram um de seus autores escreveu um livro com severos erros políticos, disse Woeser, que como vários tibetanos, usa apenas um nome. Qualquer coisa sobre a realidade do Tibete não tem autorização para ser publicada. Se for diferente da pauta do governo, será censurado.

Woeser disse que história era um assunto com uma carga política muito forte dentro da Região Autônoma do Tibete e até mesmo guias turísticos eram fiscalizados. Em 2003, o presidente Hu Jintao, um ex-chefe de partido da área, estava envolvido na criação do Plano de Guia Turístico de Apoio ao Tibete. Relatos da mídia estatal afirmam que o programa pede pelo recrutamento de 100 guias turísticos para trabalharem em Lhasa de fora do Tibete todo ano até 2013. Incentivos incluem pagamento subsidiado. A maioria dos escolhidos são integrantes do Partido Comunista.

Sem legitimidade

O governo da China abriu mão de qualquer controle remanescente do Tibete depois da queda do Qing em 1912. O atual Dalai Lama, e seu predecessor, governaram a região até 1951, quando Mao invadiu no que a China afirma ter sido uma liberação pacífica que libertou os tibetanos de uma teocracia feudal.

Sabemos que os tibetanos e alguns acadêmicos ocidentais dizem que o Tibete era um Estado independente durante esse período, mas não concordamos, disse Lian, o acadêmico do centro de pesquisa.

Wang Lixiong, um acadêmico dissidente de Pequim que desafiou algumas das alegações históricas do Partido Comunista, disse que a China imperial se considerava centro do mundo e não tinha muitas preocupações com o status político de vizinhos subservientes como o Tibete. Mas ele disse que as necessidades da política moderna tornaram essa abordagem um legado inconveniente.

Aora vivemos uma situação política ocidentalizada, disse Wang, que é casado com Woese e agora está banida de ser publicada na China. Temos essa definição de soberania e, portanto, lutamos por cada centímetro de território.

Robert Barnett, um especialista em Tibete da Universidade de Columbia, disse que acadêmicos tibetanos dentro da China muitas vezes fazem um trabalho excelente. Mas ele comentou que muitos acadêmicos na China evitam se especializar em história tibetana depois do século 13 por causa dos reflexos políticos ¿ e riscos em potencial.

Barnett disse que os passageiros que chegam ao aeroporto de Lhasa pelo Nepal às vezes têm suas malas vasculhadas em busca de livros não autorizados ou fotografias. Administrar versões de história lá e erradicar qualquer sinal de que o Tibete foi separado da China é uma indústria oficial, disse Barnett em uma entrevista conduzida por e-mail.

Lian, o acadêmico no instituto de tibetologia, disse que os planos ainda estavam em desenvolvimento para o novo complexo de museu do Tibete. Oficiais esperam por uma inauguração antes da Olimpíada, mas disse que o projeto sofreu adiações. Não iremos apressar, ele disse.

Perguntado sobre a importância da história, Lian pensou.

Por que a história é importante? ele repetiu. Ao olhar para a historia, vemos o futuro.

- Jim Yardley

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