China tentou vender armas a Kadafi, sugerem documentos

Autoridades do governo de transição afirmam que empresas chinesas entregariam as armas através da Argélia ou da África do Sul

The NewYork Times |

Nas últimas semanas de batalha entre Muamar Kadafi e os rebeldes da Líbia, empresas estatais chinesas se ofereceram para vender aos estoques de seu governo grandes quantidade de armas e munições em uma aparente violação das sanções da ONU, afirmaram autoridades do governo de transição do país no domingo. Eles citaram documentos do governo de Kadafi encontrados por um jornalista canadense, que disseram ser autênticos.

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Rebeldes líbios examinam uma aeronave destruída pelas forças da Otan em Bani Walid


Os documentos, incluindo um memorando de oficiais de segurança da Líbia detalhando uma viagem de compras a Pequim em 16 de julho, parecem mostrar que empresas estatais chinesas ofereceram US$ 200 milhões em armas e munições ao governo de Kadafi. Os documentos, em árabe, foram publicados no domingo na versão online do The Globe and Mail, um jornal de Toronto.

As empresas chinesas aparentemente sugeriram que as armas fossem entregues através de países terceiros como a Argélia ou a África do Sul.

Como a China, os países se opuseram a uma autorização das Nações Unidas para a ação militar da Otan contra as forças de Kadafi na Líbia, mas disseram apoiar o embargo de armas imposto pela ONU em uma resolução anterior.

Abdulrahman Busin, porta-voz dos militares rebeldes, disse em uma entrevista no domingo que o governo de transição irá buscar responsabilizar o país através dos canais internacionais apropriados. Busin disse que qualquer país que violar as sanções terão poucas perspectivas de negócios com a nova Líbia, um país rico em petróleo.

"Temos provas concretas de negócios acontecendo entre a China e Kadafi, e temos todos os documentos para provar isso", disse ele, acrescentando que os rebeldes têm documentos e armas encontradas no campo de batalha. Segundo ele, as armas foram fornecidas ilegalmente às forças de Kadafi por numerosos outros governos ou empresas.

Graeme Smith, repórter do The Globe and Mail, disse que os documentos publicados por seu jornal foram encontrados por ele no lixo no bairro de Bab Akkarah, onde vivem muitos oficiais do regime de Kadafi.

O Departamento de Estado, o Pentágono e oficiais da inteligência de Washington disseram no domingo que não tinham qualquer conhecimento de tais negociações e precisariam de mais tempo para analisar os documentos. Um diplomata da Otan em Bruxelas minimizou o relatório dizendo que essas negociações são altamente improváveis, mas disse não estar familiarizado com os documentos.

Membros do comitê de sanções à Líbia das Nações Unidas disseram que nada sobre negócios envolvendo a venda de armas da China foi levado à sua atenção e notaram que a França tinha sido acusada de jogar armas para algumas unidades rebeldes. Os rebeldes argumentaram que o embargo se referia especificamente a armar o governo de Kadafi, não eles.

* Por Anne Barnard

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