China se volta para cuidados a idosos com demência no país

Previsão é que em três décadas haverá 400 milhões com mais de 60 anos; política do filho único pode levar a falta de enfermeiros

The New York Times |

No ano passado, um caro complexo residencial de tijolos vermelhos foi inaugurado em Xangai, equipado com salão de beleza, cinema, salas de jogo e karaokê com o mais recente da música pop.

Mas os moradores não são yuppies chineses. Eles são pacientes idosos que sofrem do mal de Alzheimer e vivem no asilo que está na vanguarda de um novo esforço da China para lidar com a sua explosiva população idosa.

"Este é o melhor lugar que poderíamos imaginar", diz Miao Yuqiang, um motorista de ônibus de 49 anos de idade, que ajudou a mãe de 81 anos a se inscrever no asilo. "Antes de encontramos este lar de idosos já estávamos ficando desesperados".

Enquanto muitos países estão lutando para lidar com populações cada vez mais velhas, na China há previsões de que dentro de três décadas pode haver cerca de 400 milhões de pessoas com mais de 60 anos e, em parte devido à política do filho único, uma diminuição do número de enfermeiros em idade para cuidar deles.

Especialistas em saúde estão prevendo graves tensões sobre o Estado e as famílias no país. E essas tensões podem ser agravadas pela falta de conscientização sobre o Mal de Alzheimer e outras formas de demência, mesmo entre os profissionais do setor.

"Esta é uma crise iminente ao setor de saúde da China e pode ser até maior do que a que está acontecendo nos Estados Unidos por causa da política do filho único", disse Rhoda Au, professor adjunto da Escola de Medicina da Universidade de Boston.

Problema 4-2-1

As preocupações sobre o crescente número de idosos são amplificadas pelo que está sendo apelidado de problema 4-2-1. Em parte por causa da política do filho único, uma pessoa solteira na China deve ajudar a sustentar dois pais e quatro avós. E conforme os idosos vivem mais, é mais provável que desenvolvam demência, o que exige um tratamento mais caro.

Hoje, a mãe de Miao vive no Lar de Idosos nº 3 de Xangai e usa cadeira de rodas. Ela perdeu sua habilidade de falar e é propensa a crises emocionais, disse Miao.

Miao a visita duas vezes por semana. Alguns sábados atrás, ele veio com lanches e ovos cozidos. "Mãe, está tudo bem?", ele perguntou enquanto alimentava a senhora com uma pequena garrafa de leite.

"Eles realmente cuidam bem dela", disse a mulher de Miao. "Nós trabalhamos. Nós dois dirigirmos ônibus por muitas horas. O que seria de nós sem esse lugar?".

*Por David Barboza

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