China proíbe reality shows "vulgares"

Governo exigiu mudanças no programa "If You Are The One" por promover materialismo e "inventar histórias falsas

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Ma Nuo participou do "If You Are The One" ganhou notoriedade ao dizer que preferia chorar em uma BMW do que andar de bicicleta
Quando os telespectadores sintonizavam no programa de namoro mais popular da China na primavera deste ano, eles viam mulheres bonitas, rejeições brutais e adoração ao dinheiro.

Isso foi visto quando uma participante foi questionada se no seu primeiro encontro ela gostaria de ir em um passeio de bicicleta. "Eu prefiro chorar na traseira de uma BMW", ela disse.

Ou quando outra mulher recebeu o pedido de um aperto de mão e respondeu: "Só o meu namorado pega na minha mão. Todo o resto tem que pagar 200 mil renminbis", ou cerca de US$ 29,475.

Tais gracejos fizeram de "If You Are the One" (Se Você é a Pessoa, em tradução livre), produzido pela TV Jiangsu, o programa de reality show mais assistido do país. Então, os censores começaram a prestar atenção.

No final de maio, os oficiais de propaganda do governo central emitiram uma diretiva qualificando programas como esse de "vulgares" e criticando-os por promover o materialismo, discutir abertamente questões sexuais e "inventar histórias falsas e, com isso, prejudicar a credibilidade da mídia".

Assim, o programa de namoro e outros como ele passaram por uma reforma.

Já não se fala em carros rápidos, apartamentos de luxo e contas bancárias gordas.

Agora, os concorrentes atraem uns aos outros com relatos de serviço cívico e promessas de um bom relacionamento com as futuras sogras.

Atualmente um dos programas usa um professor da escola local do Partido Comunista como juiz.

Desde sua estreia em janeiro, "If You Are the One" tem sido o centro da questão. Cada episódio é como um jogo, no qual 24 mulheres são apresentadas a inúmeros solteiros. Os homens são submetidos a um interrogatório duro e efeitos sonoros que agridem o ego quando são rejeitados.

O processo todo, 30 minutos de gravação, é editado para cerca de 10 minutos na tela. O resultado é o que poderia acontecer se o "The Bachelor" e o "The Gong Show" fossem combinados e sua audiência tivesse transtorno de déficit de atenção.

Além disso, os espectadores acompanham tanto o romance na tela quanto seus escândalos fora da tela. Os produtores foram acusados de inventar histórias de vida e de usar atrizes como concorrentes.

Depois de cada comentário ofensivo ou momento estranho, vídeos aparecem rapidamente na internet.

Conforme a audiência do programa foi aumentando, seus críticos se tornaram mais expressivos e numerosos, chamando-o de um vislumbe assustador da degradação dos valores sociais.

Os programas estão agora proibidos de "explorar questões marginais, mostrar o lado feio ou demasiado deprimente e sombrio das coisas, além de abordar tópicos decadentes", de acordo com a diretiva. Ao invés disso, eles devem "manter os principais valores socialistas".

A audiência caiu desde as alterações, de acordo com uma porta-voz do programa que não quis se identificar. Ela atribuiu a queda à concorrência com a Copa do Mundo, embora o programa não seja transmitido no mesmo horário que o futebol ao vivo.

Por Xiyun Yang

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