China enfrenta violência em preparação para Olímpiada

PEQUIM - As autoridades chinesas criaram uma névoa de segurança em torno dessa capital de 17 milhões que se prepara para o início dos Jogos Olímpicos na sexta-feira. Acima de qualquer coisa, os líderes locais dizem que a Olimpíada será segura.

The New York Times |

Eles alertam que o terrorismo é uma ameaça constante, particularmente de grupos muçulmanos separatistas da região de Xinjiang, oeste da China. Na manhã de segunda-feira, a agência de notícias estatal Xinhua reportou o que parece ser o mais mortal ataque contra as forças de segurança chinesas na memória recente: 16 policiais mortos e outros 16 feridos quando os ofensores atiraram duas granadas em uma delegacia na cidade de Kashgar, depois de entrar no local com um caminhão as 8h. Dois homens foram presos.

Mesmo antes do ataque, as autoridades chinesas transformaram Pequim numa enorme fortaleza. Mísseis estão apontados para o céu sobre os estádios olímpicos locais. Câmeras de vigilância foram colocadas em cada poste de iluminação e nas calçadas. Policiais revistam milhares de carros que entram na cidade.

Até mesmo os civis foram convocados a fortalecer sua pátria: milhares de moradores de meia-idade e idosos vestindo faixas vermelhas nos braços, reminiscências do cuidadosa juventude na Guarda Vermelha há algumas décadas, agora patrulham bairros em busca do menor ato ou pessoa suspeito.

Mas os defensores dos direitos humanos acusam a China de usar o terrorismo como pretexto para silenciar dissidentes e oprimir grupos de minoria étnica que se opõe ao domínio dos chineses Han, que controlam a liderança do partido comunista. Alguns especialistas em segurança dizem que muitas das medidas de segurança provavelmente serão mantidas depois dos Jogos, para aumentar o controle das autoridades.

As autoridades chinesas, por sua vez, dizem que as ameaças vêm de uma ampla gama de setores descontentes: grupos que promovem a independência nas regiões ocidentais autônomas de Xinjiang e Tibete, seguidores do movimento espiritual banido Falun Gong, Al-Qaeda e indivíduos instáveis.

"Eu acredito que a Olimpíada de Pequim agora enfrentará ameaças reais de ataques terroristas", disse Li Wei, especialista em contraterrorismo do Instituto de Relações Internacionais Contemporâneas da China, uma organização de pequisa que aconselha o governo.

Especialistas em terrorismo dizem que os extensos preparativos estão entre os mais amplos de qualquer Olimpíada e podem ser suficientes para desencorajar ataques à capital. Mas a China ainda enfrenta o risco de ataques terroristas em outras regiões durante os Jogos, principalmente depois do ataque de segunda-feira e uma recente série de explosões em em ônibus fora de Pequim.

Por EDWARD WONG e KEITH BRADSHER

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