China demonstra preocupação com presença militar americana

No Vietnã, secretário de Defesa americano, Robert Gates, pediu fim de 'desconfianças e erros' entre Pequim e Washington

The New York Times |

Na semana passada, o secretário de Defesa americano, Robert Gates, reuniu-se com seu colega chinês, Liang Guanglie, no Vietnã, pela primeira vez desde que os dois militares suspenderam as negociações no inverno passado, e apelou para que os dois países impeçam "desconfianças e erros".

Sua mensagem parecia direcionada principalmente a agentes como o tenente-comandante Tony Cao, da marinha chinesa.

Dias antes de Gates desembarcar na Ásia, Cao esteve a bordo de uma fragata no Mar Amarelo realizando os primeiros jogos de guerra da China com a Marinha australiana, exercícios aos quais, ele observou incisivamente, os americanos não foram convidados.

AFP
Secretário de Defesa americano visitou colegas vietnamita e chinês no início da semana
O Pentágono está preocupado que seu relacionamento cada vez mais tenso com os militares chineses se deve em parte à subida de líderes da geração de Cao que, muito mais do que os antigos líderes militares do país, veem os Estados Unidos como o inimigo.

Antigos oficiais chineses lembram de uma época, antes dos protestos na Praça da Paz Celestial em 1989 prejudicarem as relações, quando as forças dos Estados Unidos e da China se uniram contra a União Soviética. Oficiais mais jovens conhecem apenas a ideologia antiamericana.

Os riscos aumentaram conforme as Forças Armadas da China, antes um grupo desorganizado, se tornaram mais capazes e assumiram tarefas maiores. A Marinha, o cerne da expansão militar da China, tem dezenas de navios de superfície e submarinos e tem amplamente divulgado a construção do seu primeiro porta-aviões.

Manobras

As manobras realizadas no mês passado com a marinha da Austrália no Mar Amarelo foram as mais recentes em uma série de excursões militares chinesas a lugares tão diversos quanto Nova Zelândia, Grã-Bretanha e Espanha.

Também há relatos de que a China está construindo uma base antinavios balísticos na província de Guangdong, sul do país, com mísseis capazes de atingir as Filipinas e o Vietnã. A base é considerada um esforço para fazer valer as reivindicações territoriais da China em áreas do Mar da China Meridional reivindicadas por outros países e confrontar os porta-aviões dos Estados Unidos que agora patrulham a área sem serem molestados.

Mesmo forças chinesas aprimoradas não têm a capacidade ou, dizem os analistas, a intenção de combater os Estados Unidos. Mas a sua gama e capacidade cada vez maior, e a certeza de que vão se tornar mais fortes, levaram a China a se afirmar regionalmente e a desafiar a dominância dos Estados Unidos no Pacífico.

Isso torna essencial ajudar oficiais chineses de baixo escalão a se familiarizar com os americanos, segundo os especialistas, antes que um encontro casual se transforme em uma crise.

*Por Michael Wines

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