China constrói reatores com design radicalmente diferente

Em vez de usar cilindro embalado com quase 180 kg de urânio, como no Japão, chineses utilizam milhares de pacotes de combustível

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Enquanto os engenheiros tentam evitar a fusão do urânio usado como combustível na usina Fukushima, no Japão, os engenheiros na China estão construindo um tipo radicalmente diferente de reator que alguns especialistas dizem oferecer uma alternativa nuclear mais segura.

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Fazendeiras caminham próximo a complexo nuclear de Shidao, na província de Shandong, na China
Em vez de usar combustível convencional do tipo que está causando o vazamento de radiação no Japão, no qual cada cilindro embalado contém quase 180 kg de urânio, os reatores chineses usam centenas de milhares de pacotes de combustível do tamanho de bolas de bilhar, cada um envolto em sua própria camada protetora de grafite.

O revestimento modera o ritmo das reações nucleares e se destina a assegurar que, se a usina tiver de ser desligada em caso de emergência, a reação iria lentamente parar por conta própria e não levar a um colapso.

Os reatores, conhecidos como reatores de leito de cascalho, também serão resfriados por gás hélio não explosiva em vez de depender de uma fonte constante de água – um problema crítico dos reatores danificados na usina japonesa de Fukushima Daiichi. E, ao contrário, daqueles reatores, os reatores chineses foram desenhados de forma a dissipar o calor gradualmente, por conta própria, mesmo que percam sua refrigeração.

Mas se abordagem leito de cascalho funcionar como previsto e for um bom negócio no quesito custo-benefício, a China espera poder eventualmente adotar a tecnologia em larga escala.

Ambientalistas

Os ambientalistas estão divididos quanto à segurança da nova tecnologia. Thomas B. Cochran, cientista sênior de energia nuclear para o Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, disse que tais reatores provavelmente seriam menos perigosos do que as atuais centrais nucleares e poderiam ser melhores para o ambiente do que as usinas movidas a carvão.

Mas o grupo ambientalista internacional Greenpeace questiona se qualquer tecnologia nuclear pode ser realmente segura. Envolver o combustível de urânio em grafite aumenta consideravelmente o volume de lixo radioativo que precisa ser despejado, disse Heinz Smital, um especialista em tecnologia nuclear pelo Greenpeace Alemanha.

Seja qual for o medo que o resto do mundo possa ter sobre as ambições nucleares da China, a análise custo-benefício ambiental contém pelo menos um potencial positivo: mais usinas nucleares permitiriam que a China reduzisse sua forte dependência do carvão e de outros combustíveis fósseis, que agora torna o país o maior emissor do mundo de gases responsáveis pelo aquecimento global.

"A China sintetiza as escolhas que enfrentamos globalmente ao nos afastarmos das formas atuais de se obter eletricidade através do carvão", disse Jonathan Sinton, especialista em China pela Agência Internacional de Energia, em Paris. "A energia nuclear é uma alternativa essencial para o carvão”, disse. "É a única que pode oferecer a mesma qualidade de energia elétrica em uma escala similar no médio e longo prazo”.

*Por Keith Bradsher

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