China anuncia testes mais rigorosos devido ao escândalo do leite

PEQUIM ¿ Nesta quarta, a China disse que reforçou os testes de laticínios para reduzir a quantidade permitida de melanina, um químico industrial tóxico que está no centro da pior crise de contaminação alimentar do país.

The New York Times |

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O reforço do teste, anunciado pelo Ministério da Saúde em uma reunião com a imprensa, foi a última de uma série de medidas tomadas pelo governo para reconstruir a confiança do consumidor após as revelações no último mês de que ao menos três bebês morreram e 53 mil crianças adoeceram por tomar laticínios adulterados com melanina, que foi usado ilegalmente para aumentar o nível de proteína artificialmente. O consumo pode causar pedra no rim e outras complicações.

Porém, os oficiais do Ministério da Saúde se recusaram a fornecer novas estatísticas do número de vítimas e foi vago sobre a tolerância anterior na quantidade de melanina na comida, sugerindo que não haveria nenhuma antes da crise da adulteração ser revelada.

A crise se expandiu a um problema internacional para a China porque a melanina tem aparecido em uma imensa gama de produtos que incluem ingredientes chineses derivados do leite. Como consequência, um crescente número de países está banindo ou limitando a importação de alimentos suspeitos da China.

Os oficiais do Ministério da Saúde disseram na reunião com a imprensa que vestígios de melanina são achados em muitos produtos alimentícios porque ela é usada para fazer plástico e pode infiltrar na comida pela embalagem. Certa quantidade de melanina pode ser tolerada, eles disseram.

Novos limites

O governo determinou agora que os limites de melanina é de até um miligrama por quilograma para a fórmula infantil (leite artificial que substitui ou leite materno) e 2,5 miligramas por quilograma para leite líquido, leite em pó e produtos alimentícios que contém mais de 15% de leite. Qualquer laticínio com níveis mais altos são banidos. Os novos limites são confirmados por avaliações do governo de Hong Kong, da Organização Mundial de Saúde e da Organização das Nações Unidas (ONU), os oficiais disseram.

Ao ser questionado sobre quais eram os níveis anteriores, os oficiais se desviaram de dar uma resposta.

Wang Xuening, representante chefe da inspeção do Ministério da Saúde e supervisão do departamento, disse que os novos limites são um guia para o quanto a infiltração despropositada de melanina no alimento deve ser permitida pelos inspetores.

As pessoas que propositalmente adicionam melanina no alimento serão processadas, ele disse.

A melanina não é nem um material do alimento cru nem um suplemento alimentar, ele disse. Adicionar químicos em itens alimentícios deliberadamente é proibido. Uma vez que tais casos são localizados, devem ser investigados de acordo com a lei.

Jornalistas pediram aos oficiais que fornecessem estatísticas atualizadas sobre o número de pessoas adoecidas devido a alimentos adulterados, mas o porta voz do Ministério da Saúde, Deng Haihua, disse que não poderia dar essa informação na conferência com a imprensa. Mais tarde, um funcionário do ministério disse por telefone que as estatísticas não estão autorizadas a serem divulgadas.

Uma análise das estatísticas feitas pelo New York Times, em sites da Internet ou em colunas oficiais da mídia, em oito de mais de trinta províncias da China e áreas administrativas no mesmo padrão de província mostra que nesses oito territórios, cerca de 52 mil pessoas adoeceram devido ao leite adulterado. Alguns dos números foram publicados no começo de outubro e outros no final de setembro. Extrapolando as estatísticas, o número de adoecidos na China seria muito mais alto do que os 53 mil anunciados pelo Ministério da Saúde no final de setembro.

Dois advogados representando casos separados de crianças de um ano da província de Henan, que ficaram doentes, disseram em entrevistas por telefone nesta quarta, que estão aguardando uma decisão sobre quando os tribunais locais irão ouvir seus casos.

Um advogado, Chang Boyang, disse que foi dito aos advogados de Henan que deviam contar ao governo caso representassem qualquer cliente no escândalo do leite, que leva a certo nível de pressão psicológica, mas que não havia nenhum problema visível em trabalhar nos casos.

Dizem-nos para informá-los se qualquer pessoa decidir tratar de qualquer caso sobre leite em pó, ele disse. Mas nunca disseram que não poderíamos fazê-lo...


Por EDWARD WONG

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