China abre espaço para mudanças em região histórica

Projeto quer transformar Gulou, bairro ao norte da Cidade Proibida, em atração turística com casas para ricos, museus e comércio

The New York Times |

Mao dormiu aqui. Assim como os eunucos imperiais que se viram desempregados depois que o último imperador da China foi destronado.

Durante grande parte dos últimos 700 anos, no entanto, os ocupantes mais proeminentes do bairro ao norte da Cidade Proibida foram algumas torres de tijolos maciços cujos sinos e tambores ajudaram os cidadãos de Pequim a manter a hora.

Atualmente, as pessoas que residem no bairro conhecido como Gulou estão contando os dias para que as equipes de construção comecem a transformar seus 32 acres decrépitos em uma nova atração turística batizada de Cidade Cultural Hora de Pequim.

Ancorada na base das torres de sinos e tambores, a reforma de US$ 73 milhões irá incluir casas com pátios para os ricos, um museu da "pontualidade" e um centro comercial subterrâneo, supostamente bem abastecido com relógios Rolex e Cartier - ou talvez seus primos falsificados mais baratos.

Desde que o projeto foi anunciado em janeiro, os historiadores, bem como os expatriados que apreciam a autenticidade da zona velha Pequim, têm alertado para a mudança.

A indignação é mais difícil de encontrar entre as milhares de famílias pobres que vivem nas casas em ruínas de tijolo cinzento coberto com telhas onduladas.

"Derrubem tudo", disse Zhou Meihua, 72, que compartilha 20 metros quadrados com três gerações de sua família. "Se conseguirmos uma indenização alta o suficiente, nós vamos sair felizes".

As autoridades tendem a encorajar esses sentimentos porque não atualizam bairros antigos de uma forma que preserva a sua estrutura existente.

Ao invés disso, desapropriam os imóveis de partes da cidade que consideram "anti-higiênicas e inseguras", estabelecem um rezoneamento comercial e revendem para obter lucros enormes.

Para os preservacionistas, o desafio é convencer os donos do poder local de que ainda há dinheiro a ser feito mediante a modernização dos antigos lares históricos únicos e então permitir que alguns dos moradores originais - com seus costumes da velha Pequim - permaneçam. Mantenha o encanto, eles dizem, e os turistas e o lucro virá em seguida.

As autoridades ainda têm de revelar os planos publicamente, e pedidos de informação ao governo local e à construtora responsável, a Corporação de Ativos da Cultura Oriental de Pequim, não foram atendidos.

Quando se trata de compensação, muitos moradores têm grandes expectativas, dizendo que não vão ceder a menos que o dinheiro lhes permita comprar apartamentos grandes perto de suas antigas casas.

Entre os que prometem resistir até o fim está Liu Jinming, que todas as tardes reúne uma dúzia de turistas em sua sala de estar, onde ele e sua mulher servem refeições caseiras e um homem desdentado apresenta brigas de grilos.

"É um tesouro viver em um lugar onde você conhece as pessoas e onde sua família tem vivido durante gerações", disse Liu. "Quem quer viver em um lugar onde você pode viver ao lado de alguém e não falar com essa pessoa por anos?"

Por Andrew Jacobs

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