Chicago registra 258 alunos baleados e 32 mortos em 2009

Governo desenvolve programa para diminuir índice de criminalidade envolvendo estudantes. Investimento é de US$ 60 milhões

The New York Times |

O momento em que Veronica Tinajero e o aluno que ela chama de Big Sunshine se entrosaram aconteceu durante um de seus primeiros encontros.

"Você já tomou um tiro?", perguntou o aluno do último ano ensino médio.

Quando Tinajero respondeu que não, ele pareceu verdadeiramente espantado e disse: "Uau, quase todo mundo que eu conheço já tomou um tiro".

Depois, ele mostrou todas as cicatrizes de tiro que tinha pelo corpo: coxa, mão esquerda e couro cabeludo. "Eu já deveria estar morto", disse.

Com isso, Tinajero, 24 e funcionária de uma escola pública, entendeu melhor o que enfrentaria.

Defensora profissional, ela está na vida de Big Sunshine por dois motivos: para ajudar a mantê-lo vivo e, em vias de se formar, para talvez guia-lo  para a faculdade.

Ela faz parte de um projeto ambicioso, mas recente, que nasceu da crise. Um projeto que pode ganhar maior significado após uma decisão do Supremo Tribunal na segunda-feira ter aparentemente prejudicado a proibição de armas estabelecida na cidade de Chicago.

No último ano letivo, 258 alunos de escolas públicas foram baleados, 32 fatalmente, a caminho da escola em Chicago, passando através do territórios tomados por gangues de drogas e confrontos violentos no Sul e Oeste da cidade.

Em um esforço para evitar futuros assassinatos, as escolas realizaram uma análise para identificar os 250 alunos com maior risco de levar um tiro (estudando os perfis de 500 vítimas recentes).

Desde dezembro, cada um dos alunos recebeu um defensor como Tinajero para oferecer cuidados e apoio 24 horas por dia, sete dias por semana.

Especialistas nacionais consideram essa como a intervenção de segurança mais intensiva experimentada em escolas de uma cidade grande. Seus resultados estão sendo observados por todo o país.

Os alunos da categoria de alto risco - geralmente meninos negros e hispânicos, alguns sem-teto e outros antigos membros de gangues - também recebem um emprego.

O conjunto de intervenções será financiado por contribuições do estímulo federal até 2012, parte de um plano de segurança de US$ 60 milhões desenvolvido por Ron Huberman, chefe do sistema de ensino, que foi nomeado no ano passado pelo prefeito Richard M. Daley, com um mandato para melhorar a segurança dos alunos. Há 409 mil estudantes em 675 escolas públicas.

Os 60 defensores contratados até agora funcionam como um poderoso amálgama das funções de pai, tutor, amigo e orientador - muitas vezes enfrentando tarefas simples, como a lição de casa. Mas mais frequentemente se aprofundando em detalhes de cortar o coração sobre a vida dos alunos. Mais de um teve de se sentar à beira de um leito ou em uma sala de espera da ala de emergência de um hospital depois que seu incumbido foi baleado.

Outros têm trabalhado para ajudar que membros de gangues rivais se entendam melhor dentro da sala de aula, aconselhando os estudantes em luto depois da morte de um pai e ajudando os sem-teto a encontrar lugares seguros para viver.

O projeto reconhece a dura realidade de que as crianças conturbadas muitas vezes vivem sozinhas. Portanto, tentar lidar com elas por meio de seus pais pode ser inútil. Daí a necessidade de contratar os defensores.

A cada defensor é atribuído um máximo de quatro alunos. Ele recebe US$ 12 por hora para passar tempo individual com eles. O programa não é limitado ao horário ou ano escolar, ele funciona o ano todo e o tempo todo.Alguns defensores realizam outros trabalhos ou estudam paralelamente.

Jonathan Moy, gerente de projetos de orientação e intervenções do sistema de ensino, disse que havia mais pessoas interessadas na posição do que vagas disponíveis e que a maioria dos que foram admitidos tinha experiência de trabalho anterior em serviço social.

Dos 210 jovens protegidos até o momento, cerca de metade não estava na escola. Agora todos estão matriculados.

Apesar de três alunos com defensores terem sido baleados no ano letivo que terminou no dia 18 de junho, não houve mortes. (Em todo o sistema, 218 estudantes foram baleados neste ano letivo, 40 menos do que no ano passado, e 27 disparos foram fatais.)

Em comparação com um ano atrás, isso é um sucesso.

* Por Susan Saulny

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