Chávez volta a negociar com companhias petrolíferas internacionais

CARACAS - O presidente Hugo Chávez, prejudicado pela queda nos preços do petróleo que impedem seus esforços de estabelecer um Estado de inspiração socialista, voltou a cortejar companhias petrolíferas ocidentais.

The New York Times |

Até recentemente, Chávez colocava as companhas petrolíferas estrangeiras de lado ao nacionalizar seus campos de extração, invadir seus escritórios com autoridades fiscais e impor uma série de aumentos sobre a exploração do produto no país.

Mas diante da queda do preço e da produção doméstica, autoridades começaram a solicitar a participação de mais companhias petrolíferas ocidentais na exploração do produto nas últimas semanas (incluindo Chevron, Royal Dutch/Shell e Total) prometendo acesso a algumas das maiores reservas do mundo, de acordo com executivos do setor e consultores da indústria.

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petróleo boliviano
Petróleo: queda do preço e da produção
Sua disposição a considerar o investimento na Venezuela reflete a escassez de projetos abertos a companhias estrangeiras nas principais nações petrolíferas, principalmente no Oriente Médio.

Mas a mudança também mostra como a crise financeira mundial está prejudicando a agenda ideológica de Chávez e exigindo uma postura mais pragmática do presidente. Em risco está a estabilidade econômica da Venezuela e a sustentabilidade de seu comando. Com o preço do petróleo em baixa, problemas que há muito atingem a Petroleos de Venezuela, a companhia estatal que ajuda o país a manter o equilíbrio, se tornaram difíceis de ignorar.

Abrir as portas para companhias ocidentais pode ser a única forma de salvar a Petroleos de Venezuela e programas de bem-estar social, como a saúde pública e a educação para os pobres, que foram possibilitados pelos recursos do petróleo e ajudaram a conquistar o apoio popular a Chávez.

"Se voltar a se relacionar com companhias petrolíferas é algo necessário para sua sobrevivência política, então Chávez irá fazer isso", disse Roger Tissot, uma autoridade sobre a indústria petrolífera da Venezuela pela Gas Energy, uma companhia de consultoria brasileira com foco na América Latina. "Ele é um militar que entende que perder a batalha pode ser necessário para se vencer uma guerra".

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Companhias ocidentais podem ser a única forma de salvar programas de bem-estar social


De acordo com as regras atuais, o custo do financiamento de novos projetos fica a cargo das companhias estrangeiras, mesmo que a Petroleos de Venezuela mantenha o controle da extração. Mas os bancos podem não gostar da perspectiva, pois a desconfiança está sempre presente ao se lidar com a Petroleos de Venezuela.

"Um acordo em um pedaço de papel não quer dizer nada na Venezuela porque Chávez muda tudo abruptamente", disse um executivo do setor que fez acordos com companhias petrolíferas da China, Rússia e outros países.

Mas a gravidade da queda no preço do petróleo pode ditar os termos com os quais a Venezuela voltará a negociar com companhias petrolíferas estrangeiras.

"Chávez está comemorando a queda do capitalismo diante da crise internacional", disse Pedro Mario Burelli, ex-executivo da Petroleos de Venezuela. "Mas a ironia é que o capitalismo alimentou seu sistema na época dos excessos", ele disse. "Isso é algo que Chávez  descobrirá da maneira mais difícil".

Por SIMON ROMERO

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