Ceticismo público enfraquece luta contra a Al-Qaeda no Iêmen

Dúvidas sobre existência de membros da Al-Qaeda da Península Arábica na região aliam-se a crença sobre manipulação do governo

The New York Times |

AP
Muitos duvidam da presença de insurgentes da Al-Qaeda da Península Arábica na região (foto de arquivo)
Conforme o Iêmen intensifica sua campanha militar contra a presença da Al-Qaeda na Península Arábica - braço do grupo na região - , o país enfrenta um obstáculo grave: a maioria dos iemenitas considera o grupo um mito ou uma jogada do governo para arrecadar dinheiro do ocidente e punir seus adversários nacionais.

Essas atitudes céticas – enraizadas na história de política manipuladora do Iêmen – complicam qualquer esforço para encontrar os autores da trama recente de enviar explosivos por carga aérea para os Estados Unidos. Também tornam a conquista do apoio público à luta contra a violência jihadista mais difícil, seja qual for o rótulo que se atribua a ela.

"O que é Al-Qaeda? A verdade é que não existe Al-Qaeda", disse Muhammad Lutfi, 50 anos, desempregado, no meio da Praça Tahrir localizada no centro da tumultuada capital Sanaa. Para ele, a violência acontece "por causa do regime e da falta de estabilidade, além das lutas internas".

História

Essa opinião ecoa pelo Iêmen e é apenas parcialmente uma teoria de conspiração. O governo iemenita usou jihadistas como soldados no passado e por vezes confundiu a ameaça Al-Qaeda com as insurgências políticas independentes que combateu no norte e sul do país nos últimos anos. Em um país onde a violência política e tribal é endêmica, muitas vezes é impossível dizer quem está matando quem e por que.

Mas uma coisa é clara: o presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, reforçou seu compromisso de luta contra a Al-Qaeda no ano passado, com muito mais incursões militares e ataques aéreos, incluindo alguns feitos pelos militares dos Estados Unidos. Seu governo tem pago um alto preço por isso.

No sábado passado, um dia depois da descoberta da conspiração terrorista em carga aérea, Saleh disse durante uma coletiva de imprensa que a Al-Qaeda matou 70 policiais e soldados nas últimas quatro semanas. Isso representa um aumento dramático em relação aos anos anteriores e alguns analistas tomaram como prova de que a presença do grupo no Iêmen está crescendo.

Mas muitos iemenitas parecem duvidar que a Al-Qaeda tenha sido culpada de todos, ou quase todos, os homicídios que aconteceram nas mesmas partes do sul do país onde um movimento separatista tem crescido nos últimos três anos.

"Nós não conseguimos diferenciar o que é propaganda e o que é real", disse Abdullah Al-Faqih, professor de ciência política na Universidade de Sanaa. “É impossível dizer quem está matando quem, você tem lutas tribais, a Al-Qaeda e o Movimento do Sul. O Estado está manipulando bastante”.

*Por Mona El Naggar e Robert F. Worth

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