Cessar-fogo desfeito em Gaza deverá ser reavivado por necessidade

JERUSALÉM ¿ Mísseis estão voando da Faixa de Gaza em direção ao sul de Israel novamente. Aviões de guerra de Israel revidam e o país está fechando a passagem por onde atravessam alimentos e combustível. A agência das Nações Unidas que alimenta os palestinos refugiados na Faixa de Gaza diz que o estoque de farinha está acabando.

The New York Times |

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Em outras palavras, os seis meses de cessar-fogo entre Israel e o Hamas, acordado em 19 de junho, acabou.

Autoridades e analistas dos dois lados dizem que as coisas poderão se deteriorar mais no curto-prazo, mas também dizem que ambos os lados precisam do cessar-fogo, então, provavelmente, eles vão retomar o acordo. A questão é quando e depois de quanto sofrimento isso vai acontecer. 

Israel e o Hamas se acusam de má fé e violação do acordo mediado pelo Egito, e cada lado tem um pouco de razão. Mísseis de Gaza nunca pararam durante o cessar-fogo, e Israel nunca permitiu um amplo fluxo de bens em Gaza, debilitando a economia.

Isso aconteceu em parte porque o acordo não teve um texto de mútua aprovação ou mecanismos de coerção; nenhum dos dois lados queria garantir a legitimidade que o documento implicava ao outro.

O Hamas considera Israel um Estado ilegítimo e é doutrinariamente comprometido com sua destruição, enquanto Israel vê o Hamas como um grupo terrorista que precisa ser desmantelado. Apesar disso, um precisa do outro para a disputa. Essa é a razão pela qual as negociações para um novo cessar-fogo já começaram, novamente via Egito.

Autoridades do Hamas dizem entenderem, na época do acordo de 19 de junho, que duas semanas depois do acordo entrar em vigor, Israel deveria abrir as passagens e permitir a transferência de bens que haviam sido banidos ou estavam restringidos depois de junho de 2007, quando o Hamas violentamente retomou Gaza.

O trabalho deles, disseram as autoridades do Hamas, era fazer cessar os mísseis contra Israel não apenas de seus próprios grupos armados, mas de outros, com base em Gaza, incluindo o grupo islâmico Jihad e a brigada de mártires Al Aksa.

Demorou, mas eles tiveram sucesso. O Hamas impôs o seu desejo e até prendeu alguns daqueles que tentavam lançar mísseis. Figuras de Israel e das Nações Unidas mostraram que, enquanto mais de 300 mísseis eram lançados contra Israel em maio, 10 ou 20 foram lançados em julho, dependendo de quem estava contando. Em agosto, 10 ou 30 foram lançados, e em setembro, 5 ou 10.

Mas quanto aos carregamentos de bens, houve um aumento de 25% ou 30% incluindo uma mistura de mais itens, nunca se aproximaram do que o Hamas pensou que aconteceria: a volta de 500 a 600 caminhões carregados que chegavam todos os dias antes do fechamento, incluindo ferramentas, materiais de construção e outros bens essenciais para a vida além da mera sobrevivência. Ao invés disso, o número de caminhões aumentou para cerca de 90; antes eram cerca de 70.


Soldados e tanques israelenses patrulham a fronteira de Israel com a Faixa de Gaza / AP

Autoridades israelenses reconhecem que a transferência de bens antes proibidos estava nos planos, mas disseram que não havia uma data específica para o aumento do fluxo e que isso deveria acontecer em etapas. Mas os mísseis nunca pararam completamente.

Forças israelenses continuaram a atacar o Hamas e outros militantes na Cisjordânia, estimulando militantes palestinos em Gaza a dispararem mísseis. Militares israelenses também encontraram dezenas de dispositivos de explosão improvisados usados contra veículos na fronteira com Gaza assim como dezenas de casos de franco-atiradores abrindo fogo contra as forças israelenses. 

Enquanto esse vai-e-volta não derruba o acordo, a decisão israelense de novembro de destruir um túnel que o Hamas cavou próximo a fronteira elevou o nível de violência a um patamar muito maior.

Israelenses dizem que o túnel pode ter sido cavado com o único propósito de pegar soldados, como Gilad Shalit, o israelense capturado pelo Hamas há dois anos e meio. O ataque de Israel ao túnel matou seis militantes do Hamas, e cada lado realiza ataques desde então.

Na verdade, Israel esperava que o acordo pudesse resgatar Shalit, ou pelo menos aumentar o número de informações sobre seu estado ou de negociações a respeito de um resgate. Mas o Hamas disse que o caso de Shalit estava completamente separado do acordo, assim como Israel rejeitou o pedido do Hamas para que cessar-fogo pudesse parar os ataques contra seus homens na Cisjordânia. Lá também, o Hamas esperava por mudanças que não aconteceram.

O foco de Israel em Shalit e o foco do Hamas na Cisjordânia são exemplos de como o acordo, sem um texto ou mecanismo de coerção, tem sido tão problemático, com cada um dos lados focado em seus próprios desejos ao invés de buscar etapas mútuas de acordo. Mas, dado a recusa de ambos os lados em reconhecer a legitimidade do outro, mais um acordo não parece que irá resultar em alguma futura negociação.

Por ETHAN BRONNER

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