Cercado por monarquias, democracia passa a ser um problema no Kuwait

KUWAIT CITY ¿ Em uma tenda enorme, Ali al-Rashed parecia angustiado ao discursar pela primeira vez em sua campanha ao Parlamento.

The New York Times |

O Kuwait era líder na economia, política, esportes, cultura, em tudo, disse para centenas de eleitores sentados em assentos brancos ao estilo damasceno. Mas então, o que aconteceu?

Na medida em que esta pequena e rica nação em petróleo, com 2.6 milhões de habitantes, se aproxima da rodada de eleições, uma resposta a tal pergunta permeia a opinião de várias pessoas, aqui e em países vizinhos do Golfo Pérsico: o excesso de democracia.

Em uma região onde a autocracia é regra, o Kuwait é uma grande exceção, com um poderoso e truculento Parlamento eleito, que regula o salário do emir e é a única fonte de legislação do país. Há dois anos, as mulheres ganharam o direito de votar e concorrer a cargos públicos, e um movimento popular ainda conseguiu várias mudanças no sistema eleitoral.

Mas, apesar de tais conquistas, o Kuwait tem sido ofuscado por seus vizinhos dinâmicos - Dubai, Abu Dhabi e Qatar ¿ cujas economias são fomentadas por monarquias absolutistas. Esforços para reparar o duro sistema de previdência social do Kuwait estão paralisados e dividiram o Parlamento, além dos escândalos que fizeram com que o emir dissolvesse a câmera no último mês pela segunda vez em menos de 2 anos, forçando a realização de novas eleições.

Todos estes acontecimentos deixaram muitos cidadãos do país profundamente desiludidos com a assembléia eleita, composta por 50 membros. O colapso das tentativas do governo Bush em promover democracia na região e dar continuidade ao caos no Iraque também contribuíram para uma suspeita geral de que a democracia por si só é apenas uma importação do ocidente e que não confere muitas vezes com sua teoria.

A frustração tem sido a origem das falhas para reformar a economia controlada pelo Estado do Kuwait. A demora em privatizar as companhias de aviação nacionais e parte do setor de combustíveis também causou decepção. Muitos cidadãos ainda se queixam da negligência do governo em relação aos hospitais públicos e escolas. Problemas com a rede elétrica deixaram milhares no escuro no último verão.

Apesar das enormes reservas de petróleo ¿ a quinta maior do mundo ¿ muito kuaitianos, se comparados à população de países próximos, se encontram descontentes com a falta de negócios e oportunidades de investimentos.

É verdade, as divergências em nossa política atrasam os projetos, disse Kamel Harami, analista do setor de petróleo. Mas o que as pessoas precisam entender é que a democracia não é um problema; esta democracia tem sido usada de forma incorreta.

-Robert F. Worth

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