Censo revela que 25 americanos chamam o Central Park de lar

Parque mais famoso de Nova York apresenta aumento de moradores de 39%, superando crescimento populacional da cidade em 10 anos

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Conforme as possibilidades se multiplicavam, também aumentava o mistério. Talvez eles fossem pessoas desabrigadas, mas o Censo não tinha certeza. Talvez fossem trabalhadores municipais, que moravam em cima de um galpão de manutenção, mas os funcionários dos parques disseram que isso era impossível.

Os planejadores da cidade também ficaram perplexos. Quem eram eles, então? Essas duas dezenas de pessoas que declararam aos recenseadores na contagem do ano passado que seu endereço não era outro senão o Central Park.

Moradores de bancos do parque? Exploradores urbanos? Donos de cachorros em uma interminável caminhada? Ninguém sabia.

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Bancos do Central Park ficam cobertos de neve no rígido inverno de Nova York
Tudo o que estava certo – se, de fato, estava – é que o parque mais famoso de Nova York, mais conhecido como Central Park, foi citado oficialmente como o lar de 25 pessoas em 2010.

O número de moradores não é surpreendente apenas porque possibilita a formação para um jogo de futebol, mas também porque revela um aumento de 39% em relação à década anterior, superando o crescimento de 2,1% da população da cidade.

Com as autoridades incapazes de dar respostas claras, o único recurso para se obter informações parecia ser uma rápida caminhada pelo parque em busca desses moradores – ou, pelo menos, de habitações em potencial.

Há, por exemplo, o atraente túnel de pedestres da Rua West 70, com seu teto alto, paredes de tijolos expostos e, naturalmente, uma vista espetacular do parque. Também há um banco pouco incômodo atrás da Le Pain Quotidien perto da Rua 69, onde as amenidades incluem aquecimento central (uma brisa quente que sopra das unidades de ventilação do café) e amplo espaço de armazenamento (nas caixas de descarte de leite empilhadas nas proximidades).

Fenômeno

Sobre o fenômeno do Central Park, Lester A. Farthing, um oficial do gabinete do Census Bureau regional de Nova York, escreveu em um email dizendo: "não temos certeza, mas isso só pode ser uma de duas possibilidades: ou as pessoas que se autodescreveram como moradores do parque são sem-teto ou são funcionários do departamento de parques que vivem em uma espécie de ‘instalação de manutenção”.

A última opção foi rejeitada por Vickie Karp, porta-voz do departamento de parques. Não foram os trabalhadores, nenhum deles vive no parque, ela insistiu.

Não muito longe da Ponte Bow, um estudante de arquitetura brasileiro chamado Ruben Viegas foi convidado a avaliar a possibilidade de um barco de madeira localizado no lago servir de casa. Estrutura? "Mais ou menos", respondeu ele, balançando a mão. Estética global? "Um lugar ruim para se viver", disse ele e sacudiu a cabeça. E sobre a sua própria casa? Ela é agradável, certo? "Bem... Eu vivo em Stamford, Connecticut".

*Por Alan Feuer

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