Celebrações de guerra de secessão são criticadas por ativistas

Algumas cerimônias previstas para o fim de semana são vistas como o equivalente a comemorar a escravidão

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A Guerra Civil, o episódio mais violento e sangrento da história americana, pode não parecer um grande motivo para comemoração, especialmente no sul.

Ainda assim, com a aproximação do 150 º aniversário do conflito de quatro anos, alguns grupos da antiga Confederação planejam certas comoções, principalmente em torno dos dias de glória da Secessão, quando 11 Estados declararam sua soberania sob uma bandeira dos direitos dos Estados e romperam com a União.

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Estudantes brincam em canhão em homenagem à batalha, em frente a museu da Guerra Civil, em Atlanta
Os eventos incluem um Baile da Secessão no porto de escravos de Charleston ("uma noite alegre da música, dança, comida e bebida", diz o convite), que será copiado em menor escala em outras cidades. Um desfile está sendo planejado em Montgomery, Alabama, junto com uma maquete da posse de Jefferson Davis como presidente da Confederação.

Além disso, o grupo Filhos de Veteranos da Confederação e algumas de suas filiais locais estão preparando vários comerciais de televisão que esperam veicular no próximo ano. "Nós queríamos apenas governar a nós mesmos", diz um anúncio do grupo Divisão Geórgia.

O fato de algumas pessoas – até agora – estarem honrando a Secessão, com apenas um aceno ao papel da escravidão, ressalta o quão divisório continua a ser o tema da guerra, com os americanos debatendo suas causas, seu significado e seu legado.

Racismo

"Nós, do Sul, que temos sido chutados de um lado pro outro por muito tempo e somos acusados de sermos racistas, gostaríamos que a verdade fosse conhecida", disse Michael Givens, comandante do grupo, explicando a razão para os anúncios de televisão. Embora houvessem muitas causas para a guerra, ele disse, "o nosso povo lutou apenas para se proteger de uma invasão e pela sua independência".

Mas nem todos apoiam este programa, é claro.

A Associação Nacional para o Avanço das Pessoas de Cor (NAACP, na sigla em inglês), por exemplo, planeja protestar contra alguns desses eventos afirmando que celebrar a Secessão equivale a comemorar a escravidão.

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Segundo Camile (E), Cyclorama, que representa primeiro dia da Batalha de Atlanta, está sendo renovada
"Eu só posso imaginar que tipo de comemoração eles fariam caso tivessem vencido", disse Lonnie Randolph, presidente da NAACP da Carolina do Sul.

Os eventos que marcam a Secessão estão entre centenas, senão milhares, de outros que acontecerão ao longo dos próximos quatro anos em honra do sexto centenário da Guerra Civil.

De Fort Sumter a Appomattox, locais históricos em todo o sul e também no norte, planejam destacar diversos aspectos do conflito.

Cerimônias

Muitas das atividades são puramente históricas, e algumas - como um encontro este mês em Gettysburg para marcar o aniversário de 147 anos do discurso de Lincoln em Gettysburg - serão solenes.

Em Antietam, no sábado, o memorial anual contará com 23 mil velas representando as vítimas da batalha. Em Atlanta, a Cyclorama, uma pintura gigante que representa o primeiro dia da Batalha de Atlanta, está sendo "renovada e rebatizada" como parte de um plano de marketing, disse Camille Love, diretora de cultura do município.

*Por Katharine Q. Seelye

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