Casos de demência impactam buscas policiais

Envelhecimento da população dos EUA, com idosos vagando perdidos pelas ruas, deve mudar perfil de segurança pública do país

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Robert B. Schaefer (dir.), agente aposentado do FBI, interpreta paciente com demência para treinar policiais para lidar com esses casos
Por muitas gerações, o protótipo de um caso típico de busca e resgate nos Estados Unidos foi o da menina Timmy, que caiu em um poço. Casos de crianças e adolescentes perdidos - do bosque ao shopping center - geralmente são maiores do que os outros.

Mas, pela primeira vez no ano passado, um outro tipo de busca chegou ao primeiro lugar no Estado de Virgínia, marcando uma mudança na segurança pública que as autoridades dizem definir o futuro conforme o país envelhece: pacientes de demência que vagam perdidos e confusos como Freda Machett.

Machett, 60, sofre de uma forma de demência que ataca o cérebro como a doença de Alzheimer e causa a muitas de suas vítimas um impulso incontrolável de sair de casa. Sua jornada, envolta em uma névoa de confusão e memórias fragmentadas, é geralmente perigosa e não raramente fatal.

Cerca de seis em dez vítimas de demência vagam pelo menos uma vez, mostram as estatísticas de planos de saúde, e os números estão crescendo em todo o mundo, alimentados principalmente pela doença de Alzheimer, que não tem cura e atinge cerca de metade de todas as pessoas com mais de 85.

Um número crescente de buscas fazem com que seja necessário reciclar os agentes de emergência, policiais e voluntários de todo o país que dizem não poder usar ideias tradicionais quando buscam por pessoas que estão, em muitos aspectos, perdidas por dentro e por fora.

"Nós os encontramos em porões e tetos falsos, trancados em armários - em qualquer lugar", disse Gene Saunders, policial aposentado de Chesapeake, que há 11 anos abriu uma companhia sem fins lucrativos chamada Projeto Lifesaver para ajudar a encontrar pessoas com alterações cognitivas que vagam pelas ruas.

A tecnologia do grupo, colocar pulseiras com dispositivos radiofônico nos pacientes, está em uso em 45 Estados, mas é mais utilizada na Virgínia.

Muitas vezes as pessoas que vagam seguem cercas ou linhas eléctricas e tendem a caminhar para a água, dizem os agentes de resgate da Virgínia. (Um truque: tente descobrir a porta usada pela pessoa para sair de casa e siga naquela direção, mas não a chame pelo nome pois certamente ela o esqueceu.)

A procura geralmente significa aprender o histórico de saúde de um paciente, incluindo que tipo de trabalho a pessoa fazia, que escola frequentou e se foi à guerra.

Porque a doença de Alzheimer, a principal causa de demência, funciona de trás para frente, destruindo as memórias mais recentes em primeiro lugar: as pessoas que vagam também viajam no tempo.

Muitos Estados não registram dados locais sobre os casos de busca, por isso é impossível medir o impacto total da demência nas forças da lei. Mas no Oregon, por exemplo, o número de buscas por pacientes portadores da doença de Alzheimer quase duplicou no ano passado e tem mais que triplicado desde 2006, de acordo com a gestão de emergências.

*Por Kirk Johnson

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