Casas instantâneas marcam curiosa exposição em Nova York

A idéia de funcionais linhas de montagem produzindo casas novas, baratas, cheias de luz e compactas como a cabine de um navio, não passa de um velho conto modernista.

The New York Times |

Para o americano classe média comum, casas pré-fabricadas nunca tiveram muito apelo. As massas tendem a preferir estilos tradicionais, mesmo com arquiteturas desengonçadas, e nunca realmente adotaram a idéia. Da mesma forma os milionários da indústria que poderiam tornar esse sonho uma realidade, resolveram ignorar a tendência.


Burst*008 de Jeremy Edmiston e Douglas Gauthier; uma das cinco casas modelo que ocupam um terreno na seção oeste do museu

Assim, a exposição "Home Delivery: Fabricating the Modern Dwelling" (Entrega de Casas: Fabricando a Moradia Moderna, em tradução literal), que será inaugurada no domingo no Museu de Arte Moderna de Nova York (conhecido pela sigla MoMA), é uma surpresa deliciosa. Organizada por Barry Bergdoll, o principal curador de arquitetura e design do museu, a exposição mostra mais de 80 projetos, que vão de humildes experimentos de moradias suburbanas a incríveis trabalhos de imaginação criativa.

Com grande esforço, Bergdoll conseguiu construir cinco modelos em tamanho real dessas casas para a mostra que ocupará um terreno na seção oeste do museu. O efeito é surpreendente: expressões de um mundo suburbano utópico cercadas por arranha-céus do centro da cidade de Nova York.

Mas como todas as grandes exposições, "Home Delivery" não está ali apenas para agradar a multidão. Trata-se de uma conquista cuidadosamente estudada, algo raro na arquitetura de hoje, que favorece o espetáculo barato sobre o intelecto desafiador. Bergdoll não apenas conseguiu localizar algumas obras inesperadas, ele também as posicionou para que possamos vê-las com um olhar novo. Ele mostra que as casas pré-fabricadas foram tema central da história modernista e representam um sonho que permanece vivo.

Para aproveitar o espetáculo da melhor forma possível, resista à tentação de ir diretamente às casas modelo e comece pela sala principal da exposição no sexto andar do museu.

A exposição começa com uma visão da produção em massa da utopia do amanhã: dois enormes fragmentos de parede (um por Ali Rahim e Hina Jamelle, o outro por Jesse Reiser e Nanako Umemoto) que vão além nas tecnologias computadorizadas feitas sob medida. Sua superfície voluptuosa sugere uma mistura de materiais industriais e design livre e orgânico.

Mais adiante, à direita, está a projeção de um filme de Buster Keaton de 1920, no qual um jovem casal tenta montar uma casa pré-fabricada. Deixadas no terreno por um caminhão, as peças da casa foram mal identificadas por um antigo admirador da mulher. O resultado, uma vez montada, é uma casa de formas estranhas, paredes tortas e portas que abrem para o nada.

O filme faz graça dos que passam a vida atrás de fantasias. Mas também revela a instabilidade no centro de qualquer processo criativo, mostrando um dos temas mais assombrados da exposição: os conflitos inerentes ao chamado Sonho Americano.

De muitas maneiras a casa pré-fabricada encorpora a tensão entre o desejo de estabilidade e uma fé quixotesca na mobilidade social. Assim vemos que a história das moradias pré-fabricadas é cheia de falsos começos e sonhos abandonados.

Em 1833 um carpinteiro de Londres, identificado como H. Manning criou uma das primeiras casas pré-fabricadas do mundo, o Chalé Portátil Manning, para seu filho que se encaminhava à Austrália para fazer fortuna. Feita de vigas e painéis de madeira, a casa podia ser convenientemente embalada para envio através de um navio e remontada em seu destino. Um único homem podia carregar a maior parte de de seus leves componentes, tornando-a ideal para o terreno selvagem australiano.

(A casa, que Manning produziu em diversos estilos, se tornou um sucesso imediato.)

Por NICOLAI OUROUSSOFF

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