Capital da Tailândia abre suas comportas para controlar inundações

Governo abandona tentativas de proteger Bangcoc das enchentes e drena água que alaga interior do país

The New York Times |

A primeira-ministra da Tailândia, Yingluck Shinawatra, afirmou nesta sexta-feira que ia tomar o comando direto do controle das inundações no país e ordenou a abertura das comportas depois que o governo abandonou as tentativas de proteger a capital dos alagamentos.

AP
Rsidentes se locomovem em enchente no distrito de Rangsit nos arredores de Bangcoc, Tailândia

Ela disse que iria cumprir estritamente a lei de desastres naturais, mas não chegou a declarar estado de emergência, em um momento em que ela tem sido fortemente criticada por desorganização e fraqueza no comando da crise.

Ela afirmou que a prioridade do governo era a abertura das comportas dos canais para permitir que a água passe por Bangcoc, e esvazie o interior do país, onde muitos povoados vivem literalmente debaixo d'água.

Ela disse que precisou recorrer à chamada Lei de Prevenção de Desastres e Mitigação, porque algumas autoridades desobedeceram suas instruções, dificultando o controle das enchentes. "Por exemplo, eu ordenei a abertura das comportas e me disseram que elas tinham sido abertasm, mas quando eu chequei, era uma história completamente diferente", disse. "Então, nós precisamos estabelecer uma ordem escrita para ter certeza que tudo está às claras."

Dois meses após assumir o cargo, a premiê enfrenta um teste de liderança que pode moldar seu governo, cercado não apenas pelas enchentes que chegam a Bangcoc, mas também por críticos e opositores políticos prontos para tirar vantagem de qualquer passo em falso.

Yingluck reconheceu na quinta-feira que os esforços para desviar o fluxo ao redor de Bangcoc estavam falhando e ela disse que o governo agora irá tentar uma liberação controlada que permitirá que as enchentes sejam drenadas por algumas áreas da cidade. "Hoje, nós esgotamos todos os recursos que temos para abrandar a água, tanto o represamento quanto a retenção de água", disse.

"Eu decidi pedir a Bangcoc que abra todas as comportas, o que pode provocar um excesso, a fim de drenar a água para o mar o mais rapidamente possível. As enchentes estão vindo de todas as direções e não podemos controlá-las porque a quantidade de água é enorme. Vamos tentar avisar as pessoas."

O anúncio de quinta causou pânico pela cidade e uma corrida aos supermercados, nos quais itens como água engarrafada, baterias e macarrão instantâneo desapareceram das prateleiras.

Confrontada com o que alguns especialistas dizem ser uma inundação que desafiaria qualquer líder, Yingluck é uma novata política que lida com membros de gabinete que não conhece bem. Sua resposta inicial conforme as águas subiam em direção a cidade foi marcada por um tom de incerteza e sinais de desorganização.

Chuvas fortes nos últimos três meses, acrescidas pelo sobrecarregamento de represas no norte do país, provocaram enchentes que inundaram cidades, destruíram campos de arroz e forçaram o fechamento de pelo menos mil fábricas. O número de mortes relatadas é de mais de 300, com cerca de 9 milhões de afetados e dezenas de milhares expulsos de suas casas.

O custo econômico é significativo não apenas para a Tailândia, mas também para fabricantes internacionais, particularmente montadoras e empresas de tecnologia, que dependem do país para peças essenciais na fabricação de seus produtos.

Yingluck, a irmã mais nova do fugitivo ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, tem enfrentado questionamentos desde o início sobre suas qualificações e autonomia. Thaksin a escolheu como candidata do partido político que apoia e acredita-se que ele tenha selecionado o atual gabinete a partir de seu refúgio em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, onde ele para escapar de uma pena de prisão por abuso de poder.

Thaksin foi deposto em um golpe em 2006, mas continuou a exercer influência política como uma das figuras públicas mais ricas e populares da Tailândia.

Mas se a liderança e as políticas de Yingluck têm sido guiadas, como muitos acreditam, de Dubai, a urgência do dia-a-dia das enchentes requerem uma espécie de tomada de decisão rápida e específica que só pode ser feita no próprio local, disse Thitinan Pongsudhirak, director do Instituto de Segurança e Estudos Internacionais da Universidade de Chulalongkorn. "Sua coragem está sendo testada e isso certamente irá definir sua liderança", disse.

Algo importante para um líder é um temperamento tranquilo, que possa absorver as críticas, disse Thitinan, mas Yingluck pode não ter a determinação necessária para controlar os seus ministros e tomar decisões difíceis.

Ele disse que medidas de estímulo fiscal depois que as águas baixarem podem fazer cumprir algumas das caras promessas populistas feitas em sua campanha. Mas a recuperação tende a sobrecarregar outros elementos controversos de sua agenda política, como emendas constitucionais e uma anistia a políticos condenados, como seu irmão.

Líderes da indústria já afirmaram que o período pós-enchentes não será o momento para avançar com o aumento que ela havia prometido para o salário mínimo.

Por Seth Mydans

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