Capital da Líbia passa por transformações para melhor e para pior

Sem controle ferrenho de Muamar Kadafi, cotidiano em Trípoli sofre mudanças excitantes e perturbadoras

The New York Times |

Trípoli não é mais a capital de um Estado policial. Mas o que se tornou, em questão de semanas, pode ser tão excitante quanto perturbador.

Traficantes de haxixe vendem suas mercadorias abertamente na Praça dos Mártires, conhecida como Praça Verde antes da queda de Muamar Kadafi. Motoristas ultrapassam sinais vermelhos sem pensar duas vezes, enquanto os tráfego se movimenta lentamente por causa de manifestações políticas. Membros das milícias que em muitos bairros substituíram a odiada polícia de Trípoli ainda mostram pouca disciplina com suas armas, disparando acidentalmente ou ao ar com muita frequência.

Reuters
Homem passa por loja decorada com bandeiras no centro de Trípoli, capital da Líbia (30/10)

Trípoli é uma cidade vibrante de quase dois milhões de moradores com um movimentado porto e agraciada com ruínas romanas e muralhas de antigas fortificações construídas pelos otomanos e outros conquistadores. Mas embora tenha passado por outras mudanças bruscas ao longo dos séculos, o que está acontecendo agora era impensável há apenas algumas semanas, quando Kadafi tentava controlar até os menores detalhes da vida diária.

Vidros fumês eram proibidos nos carros, mas agora os motoristas estão colando o famoso plástico verde escuro em suas janelas para impedir a entrada do sol escaldante.

Vendedores de frutas e vegetais eram impedidos de vender seus produtos na maioria das ruas, mas agora multidões vendem bananas e laranjas sob viadutos e perto de rotatórias.

O inglês era amplamente proibido em placas públicas por Kadafi. Agora, as placas em inglês estão por quase a toda parte, mesmo que poucos líbios entendam o que elas dizem.

As placas são simplesmente outra expressão da libertação, bem como da prontidão do país para se abrir ao mundo exterior.

A maioria dos moradores de Trípoli diz que nunca foi tão feliz, mas ainda há algum receio.

"As pessoas não entendem o que é a liberdade", disse Sara Abulher, estudante de Direito da Universidade de Trípoli, que foi rebatizada para abandonar um nome dado por Kadafi. "As pessoas pensam que liberdade é fazer o que você quer fazer, mas liberdade deve significar que todos também respeitam as necessidades das outras pessoas. Liberdade significa não passar dos limites". Mas os moradores dizem que não sentem nenhum perigo nas ruas e os comerciantes dizem não temer roubos.

"Temos uma perspectiva religiosa", disse Sadek Kahil, dono de uma loja de joias que expõe abertamente braceletes de ouro e colares, aparentemente, sem nenhuma segurança. "As pessoas que lutaram por seu país não irão se virar contra o seu próprio povo e roubar as lojas", acrescentou. "Temos problemas, mas tudo é possível agora que nos livramos daquele idiota autoritário."

Por Clifford Krauss

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