Candidatura de Wyclef Jean põe foco em sua instituição no Haiti

Enquanto cantor espera aval da Justiça para concorrer à presidência, comunidades dizem não receber ajuda de sua organização

The New York Times |

Poucos meses antes de Wyclef Jean declarar a sua candidatura para a presidência do Haiti, o representante de um acampamento local fez uma peregrinação à nova sede da instituição de caridade do cantor.

Ele chegou a uma propriedade de oito hectares, que a instituição alugou após a arrecadação de fundos em resposta ao terremoto do dia 12 de janeiro.

Mas o representante, Carel Calixte, do acampamento Cristo Rei, não conseguiu passar do portão de entrada da propriedade, que custa US$ 15 mil por mês. Assim, aceitando uma vaga promessa de ajuda, ele partiu.

AP
Cartaz com rosto de Wyclef Jean é visto enquanto o próprio cantor (direita, de terno) caminha em Porto Príncipe, no Haiti, ao lado de partidários

Nenhuma ajuda chegou, disse Calixte e outros líderes do Cristo Rei, embora a instituição, Yele Haiti, liste seu acampamento entre os vários que auxilia.

O presidente do Yele Haiti, Hugh Locke, forneceu as datas de entrega de água ao Cristo Rei. Mas os líderes do acampamento insistem que a água não foi fornecida pela Yele.

Pelo menos outros quatro acampamentos que a Yele diz ajudar também afirmam que o apoio que têm recebido não vem da instituição e outros chegam a caracterizar a assistência da Yele como de curta duração ou limitada.

Jean, que é considerado um possível líder da disputa, disse que o objetivo de sua insituição é salvar vidas, especialmente nas " comunidades mais pobres". Ele rejeitou os relatos dos líderes comunitários como "boatos".

Como Jean, uma celebridade sem experiência na política, tem coordenado o Yele Haiti é um termômetro de sua capacidade de liderar. O terremoto chamou atenção para o músico e arrecadou para seu pequeno grupo sem fins lucrativos mais de US$ 10.5 milhões até o dia 31 de julho, dos quais apenas menos de um terço foi gasto, segundo a instituição.

Mas no passado, as fronteiras entre as finanças pessoais, comerciais e filantrópicas de Jean foram confundidas. Sua instituição de caridade pagou sua empresa de produção por shows beneficentes que ele apresentou e sua estação de televisão haitiana por promoções que também contaram com ele.

Após o terremoto, a estação de televisão, com seu edifício danificado, transmitiu diretamente da nova propriedade da Yele sem pagar por isso.

É difícil avaliar como a Yele agiu após o terremoto. A organização se recusou a fornecer documentos financeiros de seus programas e serviços.

Grandes organizações como o Programa Mundial de Alimentos que antes dependiam da Yele para ajudar a distribuir comida nas áreas mais pobres, não trabalham com a instituição desde o terremoto, dizendo que precisam de "parceiros com experiência e infraestrutura”.

Mas a Yele distribuiu grandes quantidades de comida, água e tendas, disse Locke, assim como a doação de US$ 500 mil para uma máquina de tomografia computadorizada de alta resolução, e formou uma parceria com outros grupos em um programa ambiental.

Nesta sexta-feira, o conselho eleitoral irá divulgar os candidatos que se qualificaram para concorrer ao cargo. Jean, que nasceu no Haiti mas se mudou para o Brooklyn quando criança, diz que cumpre a exigência de cidadania porque ainda tem seu passaporte haitiano.

O requisito de residência – de cinco anos consecutivos antes da eleição de 28 de novembro – pode ser mais difícil. Se Jean se qualificar, alguns temem que ele use a Yele em sua campanha, o que violaria a legislação fiscal que rege instituições de caridade nos Estados Unidos.

Por Deborah Sontag e Stephanie Strom

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