Candidatos usam estimativas como dados concretos em relação à saúde pública

Conforme os senadores Barack Obama e John McCain disputam como controlar os gastos com a saúde pública e ajudar aqueles que não têm assistência médica, eles inserem autoritariamente em seus discursos, propagandas e pontos de debate estatísticas sobre o dinheiro que economizariam e os milhões de americanos que ajudariam.

The New York Times |

Mas os números que citam são estimativas brutas, geralmente criadas por economistas com inclinações ideológicas ou conflitos financeiros.
Essas previsões se tornaram tão contraditórias que chegam a ser insignificantes.

Quantos dos 45 milhões de americanos sem assistência médica receberiam ajuda de acordo com o plano de McCain de remodelar o tratamento fiscal dado à saúde pública?

Consultores pagos por McCain concluíram que seu plano cobriria 27,5 milhões dessas pessoas. Mas quatro economistas especializados em saúde pública que analisaram o projeto do candidato republicano a pedido de David Cutler, consultor de Obama, chegaram a uma conclusão diferente.

Eles estimam num artigo do jornal médico Health Affairs que o número de pessoas sem assistência aumentaria em até 5 milhões depois de cinco anos.

Quanto custaria para Obama oferecer subsídios à assistência médica para pessoas de baixa renda?

Disparidades

Na semana passada, a consultoria Lewin Group projetou os custos aos contribuintes em US$1,17 trilhões ao longo de 10 anos. Isso representa cerca de 27% a menos do que os US$1,6 trilhões estimados pelo Centro de Política Fiscal, um projeto conjunto do Urban Institute e da Brookings Institution. Além disso, o valor apresenta pouca semelhança com os US$6 trilhões estimados (usando uma medida mais ampla) pelo HSI Network, grupo de consultoria que recebeu US$50 mil do comitê de McCain para avaliar ambos os projetos.

Os comitês de campanha reconhecem que os números são "aproximações", nas palavras de Jay Khosla, consultor de McCain. Mas isso não os impede de ressaltar apenas os mais favoráveis (como quando Obama afirmou que seu plano irá cortar incentivos a assistências premium em até US$2,500 por família, ou quando McCain disse que suas mudanças fiscais deixarão 95% dos americanos com mais dinheiro).

Mesmo os economistas por trás das previsões afirmaram que ficam constrangidos ao ouvir os candidatos usarem seus números como se fossem dados concretos. O que eles projetam não passa de um modelo, mas nada é certo. "Os candidatos deveriam dizer que estes números foram produzidos por especialistas e que são uma estimativa, mas não são exatos", disse Roger D. Feldman, economista de saúde pública que coordenou os estudos no HSI. "Mas acho que a campanha eleitoral não é um momento para 'por um lado, por outro lado'. Nela as coisas tem que ser preto no branco".

Por KEVIN SACK

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