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Os senadores John McCain e Barack Obama se tornaram líderes de seus respectivos partidos de forma completamente nova na quarta-feira, quando o Congresso se voltou a eles para orientação (e cobertura política) sobre a proposta de resgate de US$700 bilhões para o setor financeiro, que muitos legisladores acreditam ser uma medida impopular, mesmo que necessária.

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O novo papel é arriscado para ambos os candidatos à presidência. Ele os coloca na linha de fogo numa questão cuja política tem mudado rapidamente, forçando-os a equilibrar a irritação do país por ter que pagar a conta pelos excessos de Wall Street com as consequências desastrosas que podem ocorrer caso uma ação não seja tomada em breve.

Qualquer que sejam os riscos, McCain e Obama apostaram tudo na quarta-feira, após serem convidados pelo presidente Bush à Casa Branca para ajudar a negociar o acordo que precisa conseguir apoio de ambos os partidos para ser aprovado.

A situação política é especialmente complexa para McCain, que apostou mais alto no começo do dia ao reconhecer um papel de liderança, dizendo que irá suspender sua campanha para ajudar a negociar uma solução e convidando Obama a adiar o primeiro debate eleitoral, marcado para a noite de sexta-feira.

Depois de semanas atacando Obama (e sem dúvida percebendo uma queda dramática nas pesquisas)  McCain se mostrou disposto a deixar de lado a política partidária para fazer o que é certo para o país e desafiou o candidato democrata a fazer o mesmo. Mas agora ele terá que conseguir apoio em seu próprio partido, que se encontra dividido em relação à proposta de resgate e há muito vê o candidato com certa preocupação.

Durante dias, os candidatos ofereceram princípios gerais e se distanciaram de forma parecida da proposta oferecida pela gestão Bush. Mas ainda que suas posturas não tenham sido muito diferente, seu tom foi, com McCain soando cada vez mais populista e Obama mais tecnocrata.

Isso gerou temores entre os republicanos do Congresso. Muitos temem que tenham sido convocados a defender um presidente impopular, apenas para ser contrariado pelo candidato à presidência de seu próprio partido caso ele se posicione contra qualquer plano que seja eventualmente adotado, deixando-os expostos aos resultados.

Neste sentido, os passos de McCain na quarta-feira foram boas notícias para os republicanos no Capitólio.

Os democratas no Congresso estão mais unidos em seu desejo de adotar o plano caso consigam a maioria das concessões que pediram a essa gestão. Mas eles, também, buscaram orientação de seu candidato. Muitos relutaram em atar as mãos de Obama ao autorizar o desvio de dinheiro proposto pelo governo, que ele planejava usar para ampliar o acesso à saúde pública, as pesquisas de formas renováveis de energia e diminuição dos impostos da classe média.

Depois que McCain saiu na frente ao se comprometer publicamente a ajudar a encontrar uma solução, Obama permaneceu cuidadoso, sugerindo que não iria necessariamente correr para Washington ou participar das negociações por si mesmo. Ainda assim, a tática de McCain concentrou a atenção nos dois como os líderes políticos com maiores poderes para conseguir um acordo.

Então após tentarem pairar sobre a questão, ambos os candidatos se viram com mais poder do que gostariam sobre o futuro da crise financeira que pode trazer apenas notícias menos ruim.

Agora McCain e Obama tentam encontrar caminhos numa situação difícil na qual a política é tão complicada quanto as medidas de crédito que desestruturaram o setor financeiro.

Os dois candidatos passam por um teste em tempo real, com consequências reais, conforme os legisladores se voltam a eles em busca de soluções para equilibrar um impulso de atingir tons populistas contra o pacote de resgate com a necessidade de adotar uma solução que pode ou não funcionar, mas que definitivamente afastará eleitores.

Por MICHAEL COOPER

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