Candidatos divergem sobre o poder americano e demonstram capacidade de adaptação

WASHINGTON - John McCain disse que sua visão do mundo se formou na prisão de Hanói onde, como prisioneiro de guerra, ele aprendeu a levantar contra os inimigos do país e perdeu qualquer ingenuidade sobre o que acontece quando a América demonstra fraqueza.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

Barack Obama escreveu que suas opiniões começaram a se formar nas ruas de Jacarta, onde ele viveu quando criança e viu a pobreza, as violações aos direitos humanos e o medo inspirado pelo ditador Suharto, apoiado pelos americanos.

Foi lá, Obama escreveu, que ele absorveu pela primeira vez "as sutilezas dos impulsos de guerra" que compõem a política externa dos Estados Unidos e compartilhou a reação dos estrangeiros comuns à "nossa cansativa promoção do capitalismo americano" e à "tolerância e ocasional encorajamento da tirania, corrupção e degradação ambiental"
por parte de Washington.

Conforme atestam os comitês de campanha, estas experiências radicalmente diferentes criaram dois homens com opiniões opostas sobre o uso correto do poder americano.

Guerreiro experiente

AP

McCain, veterano de guerra

O comitê de McCain o retrata como um guerreiro experiente que sabe vencer guerras. Já o comitê de Obama o retrata como um defensor cerebral da diplomacia paciente, o antídoto aos excessos unilaterais dos anos Bush, que sabe como construir parcerias sem entregar os interesses americanos.

Mas conforma as campanhas se desenvolveram, ambos os candidatos tiveram que tomar surpreendentes desvios. Eles podem ter formado sua visão do mundo no Vietnã e na Indonésia, mas criaram posições específicas em meio às realidades de uma eleição numa América pós-Iraque, pós-crash - na qual a razão muitas vezes entra em conflito com a necessidade política.

Como resulto temos contradições que não cabem nas imagens cuidadosamente criadas para promover cada candidato. Algumas de suas opiniões parecem tão confusas e imprevisíveis como os problemas que um deles irá herdar.

Por exemplo, McCain (que usou letras de uma música famosa para ilustrar o bombardeio de sítios nucleares iranianos) diz que conseguiria imaginar uma situação em que o comportamento do Irã muda de tal forma que ele se disporia a "considerar" permitir que o país enriqueça seu próprio urânio, que poderia ser usado na criação de armas (mas apenas sob condições restritas que garantam que esse não seria o caso).

Negociador

AP
Obama, disposição para negociar
Obama, que demonstrou maior disposição em negociar com os iranianos, afirmou numa mensagem de email divulgada por um consultor que qualquer acordo final não permitiria o enriquecimento de urânio no solo do país, a mesma postura adotada pela gestão Bush.

Sobre o Paquistão, Obama demonstrou maior disposição de ameaçar enviar tropas americanas ao país em busca de terroristas. McCain, por outro lado, diz que o Paquistão precisa controlar seu próprio território.

Por DAVID E. SANGER

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