Candidatos ¿aprovam¿ anúncios e ficam um pouco mais criativos

A candidata havia acabado de terminar os detalhes de sua política de energia, criticando seus oponentes e predizendo sua vitória. Havia apenas mais uma coisa obrigatória a dizer. ¿Eu sou Paris Hilton e aprovo essa mensagem¿, a celebridade herdeira murmura, ¿porque eu acho que é demais¿.

The New York Times |

Sátira política? É claro. Mas como qualquer outra conversa fiada da divertida propaganda de Internet de Hilton criada este verão para parodiar os comerciais do senador John McCain, que comparou o senador Barack Obama a ela, o humor vem da similaridade do fato com a realidade.

O encerramento de Hilton funciona porque, como centenas de candidatos a cargos federais, ela não disse apenas Eu aprovei essa mensagem.

Contudo, essa foi a única exigência que a reforma da lei, realizada na eleição de 2003, fez: que os políticos reconhecessem com suas próprias vozes a responsabilidade por anúncios que fossem divulgados em transmissões públicas. No entanto, cinco anos depois, eu aprovei se tornou a principal artimanha dos comerciais para candidatura ao Congresso e à Casa Branca, uma forma de os candidatos declararem sua intenção, resumindo a mensagem ou fazendo uma jogada partidária.

Por exemplo, Obama, candidato à presidência pelo partido democrata, usou a frase como parte importante de seu anúncio nas eleições gerais em junho, enfatizando seu patriotismo com Eu aprovei a mensagem porque eu nunca vou esquecer esses valores e se eu tiver a honra de fazer o juramento como presidente será com uma profunda e permanente fé no país que eu amo.

É um jeito muito tagarela, dizem os observadores políticos, e um uso não tão agradável de seguir as condições legais do termo de responsabilidade. O objetivo deveria ser pronunciar o termo de responsabilidade o mais breve possível, porque ele já força o candidato a usar um precioso tempo em seus caros anúncios de 30 segundos.

Você tenta encaixá-lo onde distrai menos, disse Eric Potholm, estrategista da campanha republicana cuja empresa, este ano, está criando comerciais para candidatos ao congresso americano na Flórida, Kansas e Novo México. Você não quer que aquilo pareça massivo. Eu costumo fazê-lo no corpo do anúncio ou mais no final, alguma coisa como, Eu aprovei esse anúncio porque eu quero fazer a, b ou c.

Potholm e outras pessoas chamaram essa exigência de albatroz, uma linguagem não apetitosa e uma perda de tempo para quem ouve a voz do candidato no anúncio.

Além disso, não há empenho significativo para abreviá-lo; ao menos nesse período de eleição, pode-se contar que eles serão mais constantes em anúncios políticos do que bandeiras ou, em comerciais negativos, música de mau presságio.

A lei tinha duas intenções: informar o público sobre quem pagou pelo anúncio e desencorajar candidatos a atirarem muita lama um no outro. A primeira parte funcionou, disse o professor de ciências políticas da Universidade de Vanderbilt, John Geer, mas o nível de sarcasmo político não mudou.

Essa reforma foi completamente contraprodutiva, disse Geer. Todo mundo reclama da brevidade do discurso, aqui pegamos o anúncio e o encurtamos. E não funcionou. A campanha de 2004 foi, de longe, mais negativa que a de 2000.

Além do mais, a frase virou um clichê político, como ficou evidente, recentemente, quando o Saturday Night Live parodiou-a usando um dublê do McCain que aprovava progressivamente ataques ridículos a Obama.

Um professor de retórica na Universidade de New Hampshire, James Farrel, ficou irritado há muito tempo, na campanha democrata primária em 2004, na primeira vez que o termo de responsabilidade foi exigido. Desde então, ele disse, escritores de anúncios apareceram com falácias lógicas para ganhar algo extra.

Farrel notou um comercial atual do Representante Don Cazayoux, democrata de Louisiana, no qual o candidato dizia, Eu sou Don Cazayoux e eu aprovo essa mensagem porque é por ela que estou lutando. De acordo com Farrell isso é uma anfibologia, uma confusão lógica criada por uma ambigüidade gramatical.

Claro que, se questionado, o candidato diria que o significado é que ele está lutando pela classe média, disse Farrell, fora do tema da transmissão. No entanto, alguém facilmente poderia concluir que a adição no termo de responsabilidade se refere a ele mesmo, como em Eu sou Don e é por ele que estou lutando.

A maioria dos candidatos usa o momento para uma declaração. O ex-governador da Virgínia Mark Warner aprovou a mensagem em sua candidatura atual para o senado, porque nós arrumamos a bagunça na Virgínia e agora iremos limpar a bagunça de Washington. O senador Gordon Smith, republicano de Oregon, aprovou o fato de trabalhar além das linhas partidárias ¿ e esse anúncio.
Victoria Wulsin, democrata que desafiou a Representante Jean Schmidt, republicana de Ohio, aprovou uma mensagem porque já fomos enganados o suficiente.

Muitos candidatos usam a expressão para repetir palavras-chave. O comediante Al Franken, candidato democrata a uma cadeira no Senado norte-americano de Minnesota, usou a palavra sério no termo de responsabilidade de dois anúncios para enfatizar sua sinceridade sobre assuntos públicos. No Alabama, uma candidata ao congresso pelo partido republicano, Jay Love, usava cristão em seus termos de responsabilidade ¿ como em porque eu acho que o Alabama poderia aproveitar alguns valores cristãos e conservadores do Alabama- apelando para eleitores cristãos.

Às vezes, os candidatos usam o termo de responsabilidade para dar uma pontada no oponente, como Wulsin fez. O ex-governador do Arkansas Mike Huckabee tentou fazer isso duas vezes com seu rival republicano, Mitt Romney, antes da convocação partidária de Iowa em 2008.
Em um, ele iniciou o anúncio com: Eu sou Mike Huckabee e eu aprovei essa mensagem porque as pessoas de Iowa têm o direito de saber a verdade sobre os desonestos ataques de Mitt Romney contra mim e até a um herói americano, John McCain. Em outro, ele disse que aprovou o anúncio porque acredita que a maioria dos americanos quer que seu próximo presidente os lembre da pessoa com quem eles trabalham e não da pessoa que lhes tira o emprego.

Da mesma forma, Angie Paccione, democrata que, em 2006, perdeu para a representante Marilyn Musgrave, republicana do Colorado, aprovou um comercial porque se Marilyn continuar mentindo sobre mim, eu continuarei dizendo a verdade sobre ela.

Foi uma maneira de dizer, Ok, se você continuar dizendo essas coisas, nós iremos retrucar, disse Paccione em uma entrevista. Nós sabíamos que estávamos arriscando, mas isso é o que eu diria a ela se a visse na minha frente. Algumas pessoas já me pararam na rua e falaram, Vai, garota.

Conselheiros políticos desdenharam dessa abordagem, preferindo distância entre o candidato e tratamentos rudes. Mark Putnam, cuja empresa produz anúncios para democratas candidatos ao senado no Alasca e no México nesse ciclo de eleição, colocou termos de responsabilidade no início de comerciais críticos para criar uma separação entre os ataques e os políticos que o fazem.

Os candidatos não deveriam ser aqueles que concluem um argumento negativo, disse Putnam.

Huckabee também usou o termo de responsabilidade com humor. Um anúncio intitulado Chuck Norris aprovou, mostrava o ator declarando seu apoio e terminando com Eu sou Mike Huckabee e eu aprovei essa mensagem. E o Chuck também. Então, Norris aparece empurrando sua mão fechada para a câmera.

Cazayoux também foi cuidadoso com outros comerciais, este ano, quando ganhou um lugar na eleição especial. Seus anúncios, criados por Putnam, mostram os pais do candidato e seus filhos caçoando dele.

Eu sou Don Cazayoux, e continuou, com seu rosto impassível e acredite ou não, eu aprovei essa mensagem.

- Steve Friess

Leia mais sobre eleições dos EUA

    Leia tudo sobre: eleições eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG