Candidatos adotam postura presidencial antes da hora

WASHINGTON - O senador Barack Obama se posicionou diante de um púlpito ornado com um falso selo presidencial. O senador John McCain passou a realizar um programa de rádio semanal.

The New York Times |

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Obama discursa em frente ao seu avião oficial
Obama discursa em
frente ao seu avião oficial
O avião de campanha de Obama ficou conhecido como "O-Force One", uma brincadeira com o nome do avião oficial do presidente norte-americano, o "Air Force One". "Obama -08/Presidente" está bordado na poltrona do comandante.

McCain fez um discurso em Columbus, em maio, em que hipoteticamente avaliava seu primeiro mandato.

Mas espere um pouco... nenhum dos dois foi eleito ao cargo ainda.

Esquecer esse pequeno detalhe pode ser fácil, uma vez que McCain, do Arizona, candidato republicano, e Obama, de Illinois, seu oponente democrata, adotaram alguns comportamentos e caíram em algumas armadilhas próprias de presidentes eleitos.

Os candidatos sempre lutam para passar uma imagem coerente com o cargo que almejam. Mas no caso de McCain vs. Obama  (a primeira eleição geral em 56 anos que não inclui o próprio presidente ou seu vice), dois senadores com pouca experiência executiva parecem esbanjar recursos para incorporar a personagem do presidente.

Ambos se envolveram em "esforços contraditórios para representar a realidade de se ocupar o cargo que ainda não conquistaram", disse Joshua King, veterano na assessoria de palco política que atuou como diretor de produção da gestão Clinton na Casa Branca. "Eles estão relativamente livres para criar sua própria versão dos protocolos oficiais".

Ainda que a equipe de McCain se mostre menor em comparação a de seu rival (da mesma forma que seu Boeing 737 perto do 757 de Obama), suas viagens parecem emitir uma inconfundível aura presidencial.

Na Colômbia, ele realizou uma entrevista coletiva com o presidente Álvaro Uribe, que seguiu o mesmo formato de uma aparição presidencial conjunta (poucas perguntas de cada lado).

Em todas as viagens, a campanha de McCain distribui mini agendas quase idênticas às que são usadas pela Casa Branca (mesmo estilo, mesma fonte, mesmo tamanho).

"Você obviamente quer que seu candidato pareça presidencial, mas não que aja tão presidencialmente", disse Ed Rollins, estrategista republicano de longa data.

Obama às vezes é criticado por exagerar. Em junho, sua campanha mostrou uma imagem do selo presidencial na qual um "O" cobria o corpo da águia e a frase em latim "Vero Possumus" no lugar de "E Pluribus Unum". ("Vero Possumus" pode ser traduzida como o slogan da campanha de Obama, "Yes, we can" - Sim, nós podemos).

O selo foi imediatamente considerado uma ousadia e retirado três dias depois.

Por MARK LEIBOVICH

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