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Candidatos à presidência tentam evitar a arrogância do já ganhou

MESILLA - Os senadores Barack Obama e John McCain passaram a adotar uma postura mais vigilante nos últimos dias para evitar sinais do já ganhou.

The New York Times |

Acordo Ortográfico

Ambos os candidatos deixaram escapar algumas vezes frases como "quando eu for presidente" durante seus discursos, mas eles geralmente são cuidadosos o suficiente para preferir o "se eu for presidente".

"Se eu for presidente", disse McCain num comício em Messilla no sábado, adotando um tom que convidava interrupções ao seu "se". Em resposta a platéia gritou "quando você for presidente!", aplaudindo o candidato e, eventualmente, entoando "John McCain, John McCain."

"Se eu for presidente", disse Obama num comício na semana passada em Leesburg, Virgínia, que também gerou gritos quase instantâneos de "quando" da multidão. Mas Obama não aceitou, ou pelo menos fingiu não aceitar (tudo bem, só um pouquinho).

"Não, não, não", afirmou Obama, silenciando os entusiasmados com as mãos. "Eu sou supersticioso. Não gosto de contar os pintinhos antes que os ovos sejam chocados".

Confiança x arrogância

AP

Obama é acusado de se declarar vitorioso

A questão se tornou um tema recorrente nos últimos dias da campanha. Para o comitê de Obama, a preocupação é que uma expectativa de vitória (gerada por sua sólida liderança nas pesquisas) pode fazer com que seus partidários se tornem complacentes no dia da eleição. Também há riscos de que a confiança seja percebida como arrogância.

Os EUA amam um vencedor, mas definitivamente não gosta daqueles que comemoram antes do tempo. Uma analogia esportiva: poucos espetáculos são tão satisfatórios quanto um jogador de futebol americano que ostensivamente se aproxima da zona final, apenas para ser derrubado por um adversário, provocando uma humilhação enorme.

Desta forma, McCain passou grande parte de seu tempo nos últimos dias tentado retratar Obama como o equivalente político do jogador de futebol americano ostensivo. (Ou, no caso de Sarah Palin, que prefere metáforas de basquete, Obama é culpado de "cortar as redes antes de ganhar o jogo").

McCain menciona inúmeras vezes os "planejamentos em andamento" entre Obama, o líder da maioria do Senado Harry Reid e a oradora da Câmara Nancy Pelosi sobre suas posições no governo que assumirá em janeiro.

Em Cedar Rapids, Iowa, no domingo, McCain acusou Obama de "medir as cortinas" da Casa Branca, algo que voltou a mencionar nos últimos dias.

Mesmo em julho, o comitê de McCain já tentava rotular Obama como alguém que canta vitória antes do tempo. Eles trataram sua viagem à Europa e ao Oriente Médio como uma "visita prematura de um vitorioso"
e zombaram do candidato democrata por colocar o logotipo de sua campanha sobre o selo presidencial (um experimento que Obama abandonou rapidamente).

Reuters

McCain tem programa semanal no rádio

De sua parte, McCain viajou ao exterior antes de Obama, fez um discurso como se estivesse analisando um hipotético primeiro mandato e passou a fazer um programa de rádio semanal aos sábados, como um presidente eleito faria.

No sábado, McCain recebeu um presente (ou algo com o que brincar) quando uma matéria do The New York Times detalhou planos de ambas as campanhas para os períodos de transição e percebeu que os preparativos de Obama estavam mais adiantados.

A matéria coube perfeitamente na narrativa de McCain sobre a presunção de seu oponente. Na insolente versão de McCain, pode-se imaginar Obama embriagado com satisfação própria, treinando seu discurso inaugural diante de um espelho ao som de "Hail to the Chief".

Numa aparição em Pottsville, Pensilvânia, na segunda-feira, McCain disse a seus partidários: "Os especialistas nos tiraram da disputa, como já fizeram antes. Meu oponente está trabalhando com a oradora Pelosi e o senador Reid em seus planos para aumentar impostos, gastos e a conceder a derrota no Iraque".

Ele acrescentou: "Eu acho que sou antiquado para estas coisas - eu prefiro deixar que os eleitores decidam antes de presumir o resultado".

Mobilização

Não é uma surpresa que o comitê de Obama esteja particularmente sensível a qualquer menção de se contar os pintinhos antes do tempo.
"Nós fomos instruídos a trabalhar como se estivéssemos 10 pontos atrás", disse J. Seymour Guenther, voluntário de campanha de Obama de Austin, Texas, que passou as últimas cinco semanas aqui no Novo México. Guenther, personal trainer e instrutor de yôga, viu Obama num comício na noite de sábado em Albuquerque.

Em suas palavras, Obama alertou os fãs contra a complacência, urgindo que eles trabalhem, trabalhem, trabalhem. A multidão vaiou McCain.
"Vocês não têm que vaiar", disse Obama. "Vocês só precisam votar".

Em Estados como o Novo México que permitem o voto antecipado, Obama gosta de perguntar quantas pessoas na multidão já fizeram isso. Quando mãos se levantam, Obama sacode a cabeça e observa por alguns instantes, como se estivesse contando as mãos, ou pintinhos...

Por MARK LEIBOVICH

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