Candidatos a cargos na gestão Obama recebem questionário minucioso

WASHINGTON - O questionário de sete páginas enviado pela equipe do presidente eleito Barack Obama a todos que buscam emprego no seu gabinete e em outros postos de alto escalão pode ser o mais amplo (e alguns dizem invasivo) processo de contratação já realizado durante uma transição.

The New York Times |

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O questionário inclui 63 pedidos de históricos pessoais e profissionais, chegando a solicitar informações sobre os companheiros e filhos do candidato, e exigem uma revisão completa de documentos que retratam as conquistas e erros individuais.

Os candidatos precisam informar se eles ou alguém de sua família possuem armas. Eles têm que incluir qualquer email que possa envergonhar Obama, juntamente com qualquer publicação em blogs e links para seu perfil na rede social Facebook.

Além disso, o candidatos têm que "por favor, informe qualquer apelido ou 'pseudônimo' que utiliza para se comunicar na internet".

O processo de veto para postos executivos tem sido ingrato há décadas, com cada gestão aumentando ainda mais as barreiras numa tentativa de evitar erros ou controvérsias. Tudo é atualizado para refletir as mudanças tecnológicas (não havia Facebook na última posse).

Mais difícil do que se pensava

Mas Obama dificultou ainda mais do que se esperava, especialmente em relação aos membros da família dos candidatos, num claro reflexo da retórica de sua campanha contra o lobby e o protecionismo em Washington.

A pergunta 18 questiona se "você, seu companheiro ou qualquer membro de sua família imediata" tiveram algum tipo de afiliação com Fannie, Freddie, AIG, Washington Mutual ou qualquer outra instituição que opera com ajuda do pacote de resgate do governo.

Na seção "Ajuda Doméstica", o questionário solicita o status de seus empregados, babás, motoristas e jardineiros, e se o candidato pagou os impostos devidos pela contratação destes serviços. (Estas questões refletem controvérsias que aumentaram com a indicação dos dois primeiros promotores gerais do presidente Bill Clinton em 1993.)

"Toda transição é cumulativa", disse Michael Berman, advogado e lobista que trabalhou na transição tanto de Clinton quanto de Jimmy Carter. Depois de ver o questionário de Obama, Berman acrescentou, "ainda bem que eu não estou em busca de emprego no governo federal".

Para os candidatos que conseguirem driblar todos essas dificuldades e realizarem a entrevista com Obama, a recompensa pode ser o emprego de seus sonhos. Mas primeiro eles terão que preencher mais formulários, para garantias de segurança e ética do FBI e do Gabinete de Ética do Governo.

Por JACKIE CALMES

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