Candidato improvável sacode campanha eleitoral no Afeganistão

CABUL, Afeganistão - Seja envolto em um mantô para um debate televisionado, sentado em um chão sujo ao lado de um lojista ou gritando contra oradores em uma tempestade de areia, Ashraf Ghani, o mais educado e ocidentalizado dos candidatos presidenciais do Afeganistão, está sacudindo a campanha que antecede a eleição de quinta-feira de maneira incomum.

The New York Times |

Antigo ministro das finanças com um passado na academia americana e no Banco Mundial, Ghani, 60 anos, diz que está tentando mudar a política do Afeganistão. Usando a televisão e o rádio, doações pela internet e estudantes voluntários, bem como redes tradicionais como conselhos tribais religiosos, ele busca alcançar os jovens, as mulheres e os pobres para conseguir o inesperado: derrotar o presidente Hamid Karzai .


Ashraf é economista e baseia sua campanha no tema / AFP

O apoio nacional a Ghani é difícil de medir (uma pequisa recente diz ser de apenas 4%) e ele permanece um estranho na disputa, atrás de Karzai e seu principal oponente, Abdullah Abdullah , ambos com bases de poder muito maiores.

Ainda assim, Ghani está elevando o debate com um foco em política e um plano detalhado de reforma, desafiando o eleitorado afegão a pensar além do status quo .

"As pessoas, a natureza da mobilização, a conversa mudou, em qualquer lugar que eu vá", ele disse em uma entrevista em sua casa em Cabul antes de partir em um helicóptero para fazer campanha nas províncias. "Os afegãos têm uma expectativa muito diferente da liderança hoje do que tinham antes".

O debate televisionado de duas horas entre Ghani e Abdullah no dia 23 de julho, acompanhado por mais de 10 milhões de pessoas, criou uma enorme mudança de pensamento, disse Ghani.

Karzai se recusou a participar, algo que seus dois oponentes usaram contra ele. Desde o debate, um fluxo de estudantes voluntários passou a trabalhar na sua campanha, disse Ghani, e pessoas de todos os tipos (pilotos, comerciantes, professores) passaram a pedir detalhes sobre suas ideias.

Articulado em diversos idiomas, Ghani escreveu dois livros, um intitulado "Fixing Failed States", e o outro um plano detalhado sobre como tirar o Afeganistão da pobreza e instabilidade em 10 anos, que essencialmente é seu manifesto eleitoral.

Ghani foi uma das figuras mais influentes na construção do atual Estado afegão. Ministro das finanças instaurado em 2002, ele instituiu um sistema fiscal centralizado e vigiou o fluxo de bilhões de dólares da ajuda estrangeira ao país envolto em guerra.

Mas sua escrupulosidade lhe trouxe muitos inimigos e, desiludido com a corrupção oficial e a liderança de Karzai, ele deixou o cargo em 2004.

Sua experiência e seu apoio em Washington é tal que Ghani está entre os candidatos a uma forte posição executiva proposta por oficiais americanos para fortalecer a performance governamental caso Karzai ganhe outro mandato.

Ghani, cuja campanha contratou o estrategista político James Carville como um consultor, diz que ainda é muito cedo para falar sobre o que acontecerá após a eleição.

Ele chegou a ser conselheiro íntimo do presidente, mas seu desgosto pela maneira como Karzai se conduz é profundo e ele passou a ser um crítico franco do modo como a política tem sido conduzida no Afeganistão.

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