Campanha de Obama se esforça para atrair eleitorado de 2008

Esquadrão de estrategistas políticos, profissionais de marketing e produtores de conteúdo usa internet para reconquistar eleitores

The New York Times |

Com um "cientista-chefe" especializado em comportamento do consumidor, um "departamento de análise" que monitora as tendências dos eleitores, e um esquadrão de dezenas de pessoas amontoadas diante de telas de computadores editando vídeos ou escrevendo códigos, o comitê eleitoral localizado no edifício One Prudential Plaza se assemelha a um local de pesquisa corporativa e a um laboratório de desenvolvimento – até mesmo com direito a uma mesa de ping pong.

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Membros da campanha de Obama no escritório em Chicago
Mas, na verdade, esse complexo faz parte de uma arma secreta da campanha de reeleição do presidente americano, Barack Obama, em que dezenas de estrategistas políticos, analistas de dados, profissionais de marketing e produtores de conteúdo para internet filtram informações recolhidas através do Facebook , de registros de eleitores e de centenas de milhares de telefonemas ou de conversas realizadas pessoalmente para reorganizar e reconquistar a coalizão de apoiadores que ajudaram Obama a ser eleito quatro anos atrás.

Disputa: Facebook é vital na estratégia online de Obama para reeleição

Obama voltou a adotar o estilo de discurso que usou na eleição de 2008, atacando os republicanos e defendendo o seu histórico como político em uma coletiva de imprensa realizada na Casa Branca no dia 6 de março.LINK Sua equipe está se preparando para dar início a uma forte campanha de publicidade eleitoral, já que a disputa pela indicação de republicana parece estar chegando ao fim.

Mas uma grande parte do trabalho feito neste complexo é dedicado a assuntos que chamam menos atenção mas que são parte de um trabalho essencial para abordar alguns dos desafios políticos mais obscuros que Obama terá de enfrentar.

Doadores

Muitos dos pequenos doadores que contribuíram na eleição de 2008 não voltaram a se posicionar (embora os responsáveis afirmem que com novos doadores e um entusiasmo crescente por parte dos eleitores, eles não têm nenhuma dúvida de que devem conseguir arrecadar os mesmos US$ 750 milhões que conseguiram na última eleição).

Alguns dos voluntários que alistaram amigos e vizinhos foram desencorajados de participar da campanha porque suas expectativas não foram atendidas e a dura realidade partidária de Washington permaneceu, embora os ataques republicanos realizados contra Obama este ano tenham ajudado a trazer alguns de volta para a disputa.

Desafio: Em 2012, pior rival de Obama é seu próprio governo

Oficiais da campanha afirmaram que, literalmente, não conseguiram mais entrar em contato com muitos de seus eleitores democratas, especialmente pessoas de baixa renda que perderam suas casas, seus empregos ou ambos, e já não é mais possível entrar em contato com elas nos endereços ou números de telefone que o comitê possui em seus arquivos.

Assim, a equipe do comitê de reeleição de Obama está filtrando dados disponibilizados pela internet ou que foram registrados pelas centenas de voluntários que trabalham nas ruas dos 50 Estados americanos, identificando apoiadores antigos e novos e enviando emails e mensagens que podem seduzi-los a participar novamente da disputa.

Com 13 milhões de emails de assinantes registrados desde 2009, mais de 12 milhões de seguidores no Twitter e cerca de 25 milhões de usuários de sua página no Facebook (em comparação com, por exemplo, os 1,5 milhões que acompanham Romney), a campanha tem acesso instantâneo a uma enorme gama de pessoas, uma porcentagem considerável das 69 milhões de pessoas que votaram em Obama em 2008, embora a campanha tenha se recusado a divulgar números específicos.

A campanha de Obama não afirma estar inventando a roda, assim como em 2008, em muitos aspectos ela está imitando a campanha realizada por Bush em 2004, que tinha um foco semelhante na construção de um exército de voluntários e no envio de mensagens altamente individualizadas a potenciais voluntários, doadores e eleitores através da utilização de seus dados pessoais.

Acredita-se que o Partido Republicano e seu candidato ao cargo em 2012 irão empregar as mesmas técnicas até onde for possível.

Mas a equipe de Obama mostra que, de certa maneira, está construindo a maior roda de todos os tempos, em uma escala que os oficiais da campanha disseram ser "sem precedentes".

Os veteranos da campanha do ex-presidente George W. Bush disseram que não duvidam muito, já que a quantidade de dados disponíveis online e a comunicação de hoje é muito diferente daquela adotada há apenas oito anos.

"A novidade está no poder da Internet e na sofisticação com que você consegue atingir as pessoas na rede, que é algo 100% novo e continua evoluindo cada vez mais", disse Sara Taylor Fagen, estrategista sênior da campanha de 2004 de Bush que hoje é uma especialista em publicidade e métricas on-line.

Tanto os defensores quanto os críticos da abordagem da campanha de Obama dizem que esses fatores podem influenciar no resultado final em apenas alguns pontos percentuais. Mas, de acordo com os oficiais da campanha, para eles isso é o suficiente.

"Nós certamente estamos conscientes que esta disputa será muito difícil", disse Jim Messina, diretor de campanha. "Estamos nos preparando para uma disputa muito acirrada, como sempre foram."

*Por Jim Rutenberg e Jeff Zeleny

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