Campanha de Obama aumenta controle sobre acesso e imagem do candidato

Em um comício do senador Barack Obama em Detroit na segunda-feira, duas muçulmanas disseram que foram proibidas de sentar atrás do candidato por usarem lenços na cabeça e voluntários do comitê não queriam que aparecessem com o candidato em imagens da cobertura da mídia.

The New York Times |

O comitê de campanha de Obama afirmou que rapidamente se desculpou às mulheres depois de saber do incidente. "Isso não reflete a orientação da campanha", disse Anita Dunn, principal conselheira de Obama. "Eu não acredito que esse erro será repetido".

Mas o incidente, relatado pela primeira vez na quarta-feira no Politico.com, mostrou as armadilhas que essa corrida eleitoral reserva quando se trata de manter a imagem de Obama gerenciando cuidadosamente suas aparições públicas.

A campanha de Obama combateu vigilantemente as informações incorretas que foram espalhadas na internet sobre ele ser muçulmano - ele é cristão - e enfatizou seu patriotismo e origens americanas, com bandeiras em abundância. Na quarta-feira em Washington,  ele convidou os fotógrafos para seu encontro com novos membros de sua equipe de segurança nacional e militares aposentados que apóiam sua candidatura.

O comitê de campanha proibiu câmeras em uma grande reunião de líderes civis negros da qual Obama participou na segunda-feira. Recentemente se recusou a fornecer nomes de figuras religiosas com as quais Obama se encontrou em Chicago e aconselhou algumas dessas pessoas a evitar os repórteres usando uma saída especial. Na quarta-feira, a campanha orquestrou a aparição de Michelle Obama no programa familiar "The View" e numa elogiosa reportagem na revista "Us Weekly".

"Um dos desafios que enfrentamos diretamente é lidar com rumores e emails, informações incorretas sobre o senador Obama e Michelle Obama", disse Dunn, "e iremos lidar com isso de forma agressiva através de diversas mídias".

Ainda que a estratégia tenha sido elogiada por profissionais da política de ambos os partidos, que dizem que o comitê de campanha de Obama mostra um alto nível de disciplina, também criou turbulências precoces para um candidato que disputa com promessas de abertura e que cultiva um partidarismo caseiro que levou a criação de vídeos e material, bem como de murais de rua, por parte de seus eleitores.

O comitê de campanha de Obama está fazendo a transição típica de qualquer novo indicado à presidência se preparando para uma corrida eleitoral. Espelha os truques de palco que já foram usados pelas campanhas do presidente Bush para a inveja - e algumas vezes raiva - dos democratas.

"Esse homem é um entre dois que podem ser o próximo presidente dos Estados Unidos", disse Stuart Stevens, estrategista republicano de Bush em suas campanhas de 2000 e 2004.

"Ele já não vai de porta em porta em Iowa e eu acredito que as pessoas esperam que as coisas mudem uma vez que ele é o indicado. O mesmo acontece com John McCain - ele não será capaz de passar muito tempo em salas de estar", disse Stevens. "A natureza do jogo mudou".

Mas a campanha de McCain falhou ao ser muito relaxada na proteção de sua imagem, enfrentando criticismo por causa de seu discurso no horário nobre diante de uma pequena audiência e um estranho cenário verde na noite em que Obama anunciou sua vitória. Mas mesmo que os assistentes de McCain tenham tido sua cota de desarranjos com a mídia, eles ainda têm a reputação de dar aos repórteres que viajam com ele uma quantidade incomum de acesso ao candidato.

Os estrategistas de Obama, o primeiro indicado negro ao cargo, deixaram claro que acreditam precisar de cuidados excessivos para controlar sua imagem e protegê-lo de ataques. Mas esses esforços às vezes parecem entrar em conflito com a promessa do candidato em ser aberto e claro, gerando ocasionalmente uma certa disputa entre as organizações de notícias que pressionam por maior acesso a ele agora que é o indicado democrata à presidência.

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