Presidente mexicano intensificou medidas para ampliar poder das forças armadas, apesar da insatisfação popular com a violência

À medida que se aproxima o fim de seu mandato, Felipe Calderón, presidente do México, está se esforçando para colocar em prática uma abordagem militarizada contra os cartéis de drogas que tem definido o seu mandato, afastando dúvidas públicas e pressionando os legisladores a adotar estratégias que espera que durem mais do que o seu governo.

Presidente Felipe Calderón durante entrevista em Los Pinos, Cidade do México
NYT
Presidente Felipe Calderón durante entrevista em Los Pinos, Cidade do México

Calderón intensificou recentemente os pedidos para que o Congresso do México aprove iniciativas estagnadas para refazer as forças estaduais e locais da polícia, autorize o papel das forças armadas no combate ao crime e amplie seus poderes, além de endurecer o código penal federal para impedir a lavagem de dinheiro.

Ele insiste que o país acabará por se tornar mais seguro, embora a guerra contra o crime organizado tenha deixado cerca de 40 mil mortos.

Esse é um argumento cheio de nuances e difícil de fazer à sua legenda, Partido da Ação Nacional, de centro direita, que enfrenta a possibilidade real de perder a presidência, provocando dúvidas sobre a abordagem de Calderón continuar efetiva depois que seu mandato de seis anos terminar no próximo ano. Limites de mandatos o impedem de concorrer novamente.

Os assassinatos no México chegaram a tal ponto, segundo analistas, que não importa quem vença a eleição, haverá uma pressão intensa para um novo curso que, de alguma forma, alivie a violência sem ceder aos cartéis.

O novo presidente também vai enfrentar exigências dos Estados Unidos, que têm investido muito em pessoal, equipamento e experiência e cujos líderes políticos se preocupam com o alcance cada vez maior dos cartéis em terreno americano.

Enquanto Calderón é impedido por lei de endossar um candidato publicamente, alguns de seus parceiros disseram que ele favorece o ex-ministro das Finanças, Ernesto Cordero, que sugeriu manter o ministro de segurança pública atual em seu gabinete e promete continuar as políticas econômicas do governo. Mas Cordero está atrás da maioria dos outros candidatos.

Em vez disso, o partido que dominou o México por 70 anos, o Partido Revolucionário Institucional, ou PRI, poderia muito bem voltar à presidência, invocando um momento em que as organizações criminosas e oficiais do governo mantinham a paz, mas corroíam o sistema político.

Uma pesquisa do Centro Pew, realizada na última primavera, mostrou que enquanto apenas 45% dos mexicanos pensam que o governo está fazendo progressos em sua campanha contra os cartéis, 83% apoiam o uso dos militares na repressão.

Apesar de tudo, Calderón disse que não fará nenhum pedido de desculpas. "Eu não acato o que dizem nas pesquisas", disse. "O México precisa ser limpo e cabe a mim fazê-lo."

Por Randal C. Archibold, Damien Cave e Elisabeth Malkin

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